Pró-Transporte: Obra só de papel

Se há um projeto difícil – mais do que isso, dificílimo – de sair do papel este é o Pró-Transporte, conjunto de obras viárias e de intervenções urbanas visando melhorar o trânsito na Zona Norte de Natal e em trechos que levam ao litoral.
Desde que este programa foi anunciado como solução para resolver os problemas de tráfego e para facilitar o acesso dos turistas ao litoral norte, passaram-se quase dez anos – e as ações não conseguem ganhar a celeridade que se espera.
Estas obras já mudaram de responsável mais de uma vez. No início, era uma obra municipal, com participação estadual. Depois, foi tomada pelo estado com contrapartida municipal. Depois, voltou ao município – que não conseguiu avançar, mais uma vez – para, de novo, ser entregue à responsabilidade do estado.
O processo de licitação foi anunciado, mas a abertura dos envelopes já foi adiada duas vezes, devido a divergências apontadas pelas empresas interessadas no edital para execução das obras. Uma nova data foi estipulada para maio, o que redundará, evidentemente, em atraso no início e na conclusão dos trabalhos, prevista para mais de dois anos.
De concreto, vê-se, desde o início, muito pouco dessa obra. Quando foi lançada, dizia-se que encurtaria a distância entre  Natal e as praias do litoral norte. A avenida Moema Tinoco, que seria recuperada, hoje é o retrato desse projeto. Esburacada, perigosa e sem conservação alguma, ela simboliza o descuido e o atraso com as obras do Pró-Transporte.
Mesmo a ponte Newton Navarro, inaugurada há cinco anos, previa no seu entorno as obras que integravam o Pró-Transporte. O trecho logo após a ponte, com destino à Redinha, teria de ter, no lugar do enclave onde hoje há uma circulador, viadutos e elevados capazes de facilitar o fluxo de veículos.
Hoje, em horas de pico e principalmente nos finais de semana, o local sofre com congestionamentos. A falta de agilidade dos governos anteriores fez com que as soluções fossem empurradas. Hoje, as obras estão sob responsabilidade do governo estadual, a quem caberá recuperar o tempo perdido.
Esta é uma obra urgente, mas seus gestores  precisam ter a consciência de que é necessário que seja  construída sem emendas, ainda que, pelos cálculos, já tenha encarecido mais de 60% em relação aos valores iniciais. É, ainda, exemplo de como o poder público pode se superar no quesito lerdeza.
Fonte: Novo Jornal

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