De acordo com empresas, 19 ônibus foram depredados no último ABCxAmérica

Como saldo negativo em consequência dos atos de vandalismo do confronto entre ABC e América, domingo passado, o gerente de tráfego da empresa Reunidas, Valdemar Costa, contabiliza 11 veículos depredados. Além disso, a empresa ouviu de funcionários relatos de ameaças feitas por integrantes de torcidas organizadas armados aos motoristas e cobradores. O gerente ainda não fez o cálculo monetário das avarias e nem dos lucros cessantes, uma vez que os carros ficaram sem circular ontem. Ele cobra da polícia uma maior quantidade de agentes nas principais vias de acesso ao estádio, como as avenidas engenheiro Roberto Freire e Bernardo Vieira.
“Os motoristas nem puderam apertar o botão de pânico – dispositivo que avisa imediatamente uma ocorrência à polícia – porque foram ameaçados pelos marginais armados. E nem podiam parar o ônibus”, diz Costa. Segundo ele, as agressões vieram das duas torcidas.
Os principais pontos da violência foram na BR-101, nas proximidades de Potilândia, na Avenida Salgado Filho, perto da Universidade de Odontologia e nas avenidas Bernardo Viera e João Medeiros Filho.
A violência aconteceu antes e depois da partida. “Alguns motoristas já sofreram com o vandalismo na ida para o estádio e pediram para recolher os carros. Eu que pedi para eles cumprirem a escala”, diz Costa.
Os atos são comuns em todos os clássicos ABC x América. No jogo anterior entre os dois times (na rodada final da série B), um motorista foi baleado na cabeça, enquanto estava em um terminal de integração e até hoje está de licença médica. Além disso, os funcionários das empresas de ônibus ficam sequelados com o desconforto psicológico sempre que há jogos desse tipo. “Muitos funcionários pedem para não serem escalados em dia de jogo”, acrescenta Costa. Ele diz que, se as coisas continuarem como estão, a tendência é as empresas de ônibus imobilizarem suas linhas. Ou então, a polícia terá que colocar homens em todos os veículos que fazem o trajeto até o estádio.
Costa finaliza afirmando que não foi visto policiamento em pontos estratégicos, como as avenidas João Medeiros Filho, Engenheiro Roberto Freire, BR-101 e Salgado Filho. A empresa Guanabara também registrou oito veículos avariados, com janelas e para-brisas quebrados a pedradas, nas avenidas Bernardo Vieira, Salgado Filho, proximidades da Ponte de Igapó e no Midway Mall.
O major Antônio Marinho, policial encarregado de elaborar o relatório de ocorrências da partida, disse desconhecer os atos de vandalismo nos ônibus, uma vez que ele ficou responsável pela segurança no Frasqueirão e no seu entorno. Questionado sobre o relatório da partida, ele disse que o documento só estaria pronto hoje. Porém, usualmente, esse relatório é elaborado e entregue no mesmo dia da partida, ou, no mais tardar, no dia seguinte ao evento.
A única ocorrência registrada por ele foi a prisão de um casal de jovens que portava maconha e cocaína, sendo as únicas pessoas flagradas. Além disso, o PM conta que integrantes da torcida organizada Garra Alvinegra, do ABC, tentaram entrar no estádio com estiletes e canivetes escondidos nas bandeiras e faixas da agremiação, empreitada que foi frustrada pela polícia. Apesar disso, o comandante do policiamento metropolitano, Ulisses Paiva, disse à reportagem que classificava o incidente como “nada de grave”.
O major Antônio Marinho, responsável pelo policiamento da partida, vai sugerir que a Garra Alvinegra seja impedida de entrar com seus instrumentos por “dois ou três jogos”, por ter praticado apologia à violência. “O saldo ficou dentro do esperado. Enquanto esses marginais estiverem nas torcidas organizadas, isso vai acontecer”, concluiu o Major Marinho.
Marinho reconhece ter havido o apedrejamento de ônibus e o fato de alguns delinquentes terem sido detidos, mas diz que eles não permaneceram presos porque não foram reconhecidos pelos motoristas. Paiva aguarda a análise do relatório policial, mas antecipou-se reafirmando que o acontecido no domingo “estava dentro do previsto”.
Embora não haja registros oficiais, existem relatos de trocas de tiros durante confrontos entre torcedores rivais no entorno do Frasqueirão e outros conflitos entre torcidas organizadas em várias partes da cidade.
O diretor de comunicação do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos e Passageiros (Seturn), Augusto Maranhão, diz que a situação está se tornando “insustentável”. Ele também disse ainda não ter mais informações das empresas sobre o vandalismo de domingo, mas disse que o caso será discutido hoje em uma reunião interna do sindicato. “O pior de tudo é que nenhum trabalhador quer ser escalado para os dias de jogo. E os que são escalados faltam. Quer dizer, ninguém vai por em risco a sua vida em uma situação que ficou insustentável”, diz Maranhão, que pede um policiamento mais ostensivo e pensa na possibilidade de mudanças nos itinerários das linhas.
Fonte: Novo Jornal

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