Oito meses depois, processo dos ônibus queimados tramita na justiça

Oito meses depois da baderna que culminou com quebra-quebra e prejuízo para os empresários do setor, estudantes se mobilizaram nas redes sociais para protesto contra o reajuste da tarifa de ônibus. O aumento de R$ 2,20 para R$ 2,40 foi anunciado na semana passada pela Secretaria de Mobilidade de Natal. Uma das concentrações foi marcada para ocorrer nas imediações do campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Mirassol, nesta quarta-feira.
O protesto anterior, que ocorreu com a mesma motivação, resultou em um confronto entre policiais e integrantes do movimento. Em setembro do ano passado, dois ônibus foram incendiados, além de outras depredações ao patrimônio dos empresários. A ação dos estudantes conseguiu fazer com que a Prefeitura fosse obrigada a suspender o reajuste. Oito meses depois, o reajuste voltou a ser autorizado pelo Executivo municipal.
Através da rede social Facebook e com reuniões presenciais na UFRN, estudantes se articulam para cobrar a prática de um preço que consideram justo na passagem de ônibus. Em um dos grupos, denominado “Revolta do Busão”, estudantes comentam sobre a forma dos protestos, inclusive com comentários sobre eventuais confrontos com a polícia. Nos comentários da postagem, um dos integrantes alerta que “não se discute estratégia por aqui”. O grupo virtual é composto por 4.894 membros.
Do protesto anterior, algumas pessoas permanecem respondendo a processos judiciais. Uma delas é o professor de história Felipe Eduardo Oliveira Serrano. Ele chegou a ser preso pela polícia no dia em que ônibus foram incendiados. Na oportunidade, a Secretaria de Segurança instituiu uma comissão de delegados para apurar o caso.
Serrano foi indiciado ao final do inquérito policial por incêndio e perturbação do correto funcionamento do transporte público. O processo corre na Justiça estadual. De acordo com os representantes do professor, o Ministério Público já o denunciou sob as mesmas acusações. A reportagem não conseguiu ter acesso ao conteúdo das acusações.
A defesa do professor nega a autoria dos crimes. “Isso foi um equívoco. Confundiram o Felipe. Ele tinha ido ao local para dar carona a um amigo”, disse o advogado Daniel Pessoa. Ele relata que Felipe havia se deslocado às imediações do Midway para dar carona a um amigo, que não conseguiu pegar ônibus algum em razão do protesto. Lá, teria sido confundido.
O professor foi preso por policiais militares e levados à delegacia. A defesa sustenta o erro de investigação também por várias pessoas terem sido vistas na cena do incêndio e apenas Felipe ter sido supostamente identificado.
Além dele, outras pessoas responderam por desobediência e desacato. Uma delas é a professora da UFRN, Sandra Erickson. Ela foi presa às margens da BR-101 após supostamente desrespeitar a ordem judicial de liberação da via. De acordo com o advogado Daniel Pessoa, como se tratava de uma decisão de um juiz federal e era via de âmbito federal, o processo foi transferido para a Justiça federal, que têm competência para apurar o caso.
Com informações: Novo Jornal

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