R$ 2,40: Vereadores criticam posição do prefeito sobre reajuste da tarifa

Carlos Eduardo Alves mudou. Não é mais o mesmo que era durante a campanha eleitoral para prefeito de 2012 (que venceu no segundo turno). Pelo menos, foi isso que indicou a vereadora Amanda Gurgel, do PSTU, em pronunciamento na Câmara Municipal de Natal na tarde desta quinta-feira (16). Para quem não lembra, conforme a parlamentar ressaltou, em agosto do ano passad, Carlos Eduardo, diante do aumento de R$ 2,20 para R$ 2,40 concedido pela então prefeita Micarla de Sousa, afirmou que “Natal foi dormir e amanheceu com um punhal enfiado nas costas”.
“Eu pergunto: essa situação (do transporte coletivo) foi alterada? Não foi. Com esse aumento continua sendo a maior do Nordeste, a frente das capitais como Fortaleza e Recife”, afirmou a vereadora Amanda Gurgel, ressaltando que o próprio prefeito se posicionou contrário o aumento porque ele tornava a tarifa de Natal uma das mais caras da região.
Amanda Gurgel também ressaltou que naquela época, Carlos Eduardo se pronunciou publicamente contra a majoração dos preços, contudo, agora, afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que não iria se manifestar com relação ao aumento. “É muita mudança em poucos meses. É muita mudança no posicionamento de uma figura pública, de um prefeito de uma cidade”, analisou.
O líder da bancada do prefeito na Câmara, o vereador Júlio Protásio, do PSB, também pediu a palavra para responder a vereadora e afirmou que Carlos Eduardo “não traiu a sua palavra. Você (Amanda Gurgel) pode até desejar que ele tinha posicionamento diferente, mas não que traiu sua palavra”. Segundo Protásio, quando Micarla aumentou a passagem, “não houve discussão, não houve coletiva de imprensa, ninguém veio para Câmara comunicar que haveria aumento da passagem”.
Júlio Protásio colocou ainda que, desta vez, os “empresários solicitaram o aumento, a secretária da Semob (Secretaria de Mobilidade Urbana) reuniu o Conselho de Mobilidade Urbana, discutiu o assunto, convocou uma reunião para discutir o assunto”. “Achando que está maquiado ou não, a secretária (Elequicina Santos) veio discutir. E se alguém tivesse algum número (diferente dos que foram apresentados cobrando o aumento) para discutir, que apresentasse, mas não apresentaram”, afirmou Júlio Protásio.
A resposta a declaração de Júlio Protásio veio pouco depois, novamente por Amanda Gurgel e também pelo vereador do PSOL, Sandro Pimentel. “Um não avisou nada, (o aumento) foi na calada da noite. O outro, avisou. Mas o mérito é o mesmo. O aumento”, analisou Sandro Pimentel, comparando Micarla de Sousa e Carlos Eduardo. “Desafio algum vereador ou população de Natal a dizer que houve debate sobre o aumento da passagem de ônibus de Natal”, afirmou ele, ressaltando que o prefeito apenas chamou a imprensa para anunciar o reajuste concedido. “Veio aqui esclarecer, apresentar o aumento. Não veio debater conosco. Não havia nenhuma possibilidade de não conceder o aumento”, criticou o membro do PSOL.

Violência na #RevoltadoBusão: A discussão sobre quem está “menos errado” no tumulto visto ao final do protesto contra o aumento das passagens de ônibus nesta quarta-feira (15), está longe de acabar. Até porque em sessão na Câmara Municipal de Natal, realizada no dia 16, os vereadores que defendem a manifestação colocaram ainda mais “lenha na fogueira”. O vereador Marcos Antônio, do PSOL, por exemplo, classificou como criminosa a ação da Polícia Militar, em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), que resultou na dispersão da manifestação por volta das 19h.
“Polícia armou uma tática criminosa contras manifestantes, de enxotá-los para dentro do túnel, com a Polícia Rodoviária Federal do outro lado”, afirmou Marcos Antônio, respondendo ao vereador Bispo Francisco de Assis, que criticou a invasão de alguns manifestantes a sede da igreja Universal, localizada à margem da BR, durante o tumulto. “Eles correram para dentro da igreja para evitar que fossem assassinados, asfixiados dentro do túnel por gás lacrimogêneo”, defendeu Marcos Antônio.
Memória: É importante lembrar que o aumento da passagem de ônibus anunciado em 2012 pela prefeita Micarla de Sousa é, exatamente, o mesmo visto atualmente pelo usuário do transporte coletivo: de R$ 2,20 para R$ 2,40. Na época da prefeita Micarla de Sousa, a gestão municipal afirmou que era o primeiro aumento em 18 meses, e consequência dos reajustes salariais dos trabalhadores antecedidos por dois aumentos de salário-mínimo e, ainda, dois aumentos no preço do óleo diesel. Desta vez, o prefeito Carlos Eduardo baseou sua justificativa, principalmente, na aprovação do aumento pelo Conselho Municipal de Mobilidade, uma comissão criada pelo município para avaliar o transporte coletivo e que seria constituída por representantes de diversas classes sociais.
De qualquer forma, ressalta-se também que durante a gestão Micarla, depois que o aumento foi concedido em 2012 pela Prefeitura de Natal, a Câmara Municipal de Natal, por meio de um projeto de decreto legislativo, do próprio vereador Júlio Protásio, que hoje é da bancada do prefeito, conseguiu anular o reajuste da passagem do transporte coletivo em Natal.
Com informações: Portal No Ar

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