Falta de mobilidade e acessibilidade são os maiores problemas do Alecrim

Se sentir abandonado mesmo sendo visitado por milhares de pessoas todos os dias da semana, apesar de rivalizar com opções mais “modernas” e “confortáveis” para o público consumidor. É assim que pode ser caracterizado o bairro do Alecrim, um dos mais tradicionais de Natal, vem se sentindo com os passar dos anos e o abandono a qual é submetido pelo poder público municipal e estadual. E essa avaliação não é exclusiva do portalnoar.com, e sim das pessoas que vivem e “consomem” este bairro todos os dias.
Uma das pessoas que pensam assim é o presidente da Associação de Empresários do bairro do Alecrim, Francisco Denerval de Sá, que está lá todos os dias da semana, faça chuva ou faça sol – apesar de que, na chuva, a condição do bairro piora consideravelmente com o lixo e a água acumulados. “O Alecrim continua abandonado. Apesar do grande potencial do bairro, as autoridades estão cegas”, afirmou também empresário.
A realidade que ele aponta, por sinal, pode ser facilmente confirmada em uma rápida caminhada pelo bairro. Lixo nas calçadas, água acumulada da chuva do dia anterior, ausência de segurança (durante as três horas que a equipe de reportagem do portalnoar.com ficou no bairro não encontrou nenhuma viatura da Polícia Militar) e de fiscalização (nesse mesmo período também não se viu veículos, por exemplo, da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, a Semob).
E este, ou seja, o trânsito, é justamente o mais grave problema apontado pelas pessoas ouvidas pelo portalnoar.com quando se trata de Alecrim. “É, sem dúvida, o grande problema do Alecrim, que se agrava nos dias de feira livre (nos sábados). Aqui falta fiscalização, os motoristas fazem o que querem, estacionam em locais proibidos e fazem isso aí, esta aí um exemplo para vocês do desrespeito”, afirmou o taxista João Maria Teixeira, apontando para uma caminhonete que entreva na contramão em plena avenida 1, também conhecida como Presidente Quaresma, para instalar uma das barracas da feira livre.
Como motorista profissional e anos de experiência circulando pelo Alecrim, João Maia acredita que não é só “colocando guardas para multar” que vai se acabar com os problemas do trânsito do bairro. Segundo ele, é preciso mais campanhas educativas, para explorar a consciência das pessoas. “Além disso, tem que se diminuir o número de veículos aqui no Alecrim. É muito carro na rua. É preciso melhorar a condição do transporte urbano, dos ônibus, do trem, baratear o taxi, para incentivar as pessoas a não virem para o Alecrim no carro próprio, até porque nem estacionamento elas vão encontrar”, afirmou o taxista João Maria.
Realmente, não são apenas os motoristas profissionais que reclamam do trânsito no Alecrim. Segundo o condutor José Figueira de Lima, um dos abordados pelo portalnoar.com, o ruim de circular pelo Alecrim é, exatamente, a falta de mobilidade. “É demais o engarrafamento. A pessoa tem que vir para cá com muita paciência, porque enfrentar o trânsito do bairro não é fácil”, afirmou Filgueira, que é comerciante no bairro e afirmar que “conhece bem” a região.
Em uma rápida observação do bairro do Alecrim, por sinal, é possível confirmar toda essa reclamação. O trânsito é mesmo complicado não só pela falta de respeito à Legislação por parte dos condutores, que param seus veículos (sobretudo as motos), literalmente, no meio da rua, como também a total desorganização do próprio comercio. São várias as barracas, os populares camelôs, instalados de forma inadequada e que ocupam metade da calçada e metade da via da direita das ruas.
Por isso, inclusive, o presidente Denerval de Sá quando trata da questão da acessibilidade, afirma que ela não é válida apenas para aquelas pessoas com mobilidade reduzida. “Aqui se fala da necessidade de se buscar acessibilidade também para as pessoas que não tem qualquer redução de mobilidade, porque aqui é difícil andar pelas calçadas devido à falta de espaço. O poder público precisa buscar soluções para isso”, afirmou o empresário.
Fotos: Wellington Rocha (Portal No Ar)
Fonte: Portal No Ar

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