Manifestações colocam transporte público na agenda política principal, diz especialista da UFRJ

Um mês depois das manifestações que traziam a melhoria do transporte público como uma das principais demandas, o Rio recebeu nesta semana a 13ª Conferência Mundial de Pesquisa em Transportes, que reúne mais de 1,5 mil participantes de 90 países em torno do tema.
Para o coordenador do evento, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rômulo Orrico, os protestos resultaram na demonstração de uma vontade política que vai além da redução das tarifas. “Esses 20 centavos têm um caráter simbólico, que representa a busca de algo melhor, um transporte respeitoso, de qualidade. (…) Há alguns anos, o transporte não estava na agenda política principal e essa era a maior tarefa de um dirigente público de transporte. Agora, ele [o setor] entrou. Não apenas como uma compensação, mas porque está sendo olhado como um setor importante. Importante para as famílias, para as cidades, para a economia do país e para o desenvolvimento humano”, disse.
O evento faz parte das comemorações dos 50 anos do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da UFRJ. Para o professor Orrico, sediar o congresso é uma conquista para a universidade e reflete a descentralização da produção acadêmica. “É o reconhecimento de que fora dos países centrais há pesquisa própria e crescente no setor de transporte, em especial em mobilidade urbana. Isso significa um olhar diferente sobre o que são os problemas das pessoas”, disse Orrico.
Menções aos protestos foram constantes na mesa de abertura e na sessão plenária do evento. O pró-reitor de extensão da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Pablo Benetti, que representou o reitor da UFRJ, pediu sensibilidade aos pesquisadores nas discussões. “Vocês são cientistas, estudam com profundidade os transportes, mas também são pessoas sensíveis. Então, o congresso de vocês, se já era importante, agora ganha uma atualidade, um desafio adicional, que é o de tentar contribuir para dar uma resposta a essa demanda que vem das ruas, a esse descontentamento social do Brasil inteiro”.
O subsecretário de transportes do estado do Rio, Delmo Pinho, participou da abertura do evento e afirmou que os governos estadual e municipal têm a meta de aumentar para 35% a 40%, em 2016, a fatia de circulações pela cidade em sistemas de transporte de alta e média capacidade, em sistemas organizados. Em 2007, ano em que foi traçada a meta, o percentual era 7%.
Segundo Delmo Pinho, os investimentos desde então e os previstos até 2016 somam R$ 15 bilhões, na modernização de trens, nas barcas, na Linha 4 do metrô e nos corredores de ônibus. “O que importa é o sistema de transporte ser organizadamente implantado e operado. O que importa para o passageiro é o tempo e o custo do deslocamento. Se ele está sendo bem atendido, não importa se é um sistema de média ou de alta capacidade”, disse o subsecretário.

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