Mossoró: Usuários e motoristas de ônibus estão reféns da onda de assaltos

Uma modalidade criminosa bastante comum em cidades de grande porte desembarcou de forma mais intensa em Mossoró nos últimos dias. O segundo maior município do Rio Grande do Norte tem sido palco de recentes casos de assaltos contra ônibus urbanos. Pelo menos quatro ocorrências de roubos contra transportes coletivos já foram registradas na área do bairro Nova Vida (zona leste).
O quadro de insegurança tem deixado usuários e motoristas reféns dos ataques criminosos na localidade. A população da região que precisa do serviço de transporte público e os próprios condutores dos ônibus se encontram amedrontados com iminentes assaltos. Essa foi a situação encontrada pela reportagem do Jornal de Fato, que percorreu na tarde do dia 1º, o trajeto realizado pelos transportes coletivos na chamada “linha do medo”.
Relatos de motoristas e usuários de ônibus no Nova Vida, antigamente denominado Malvinas, dão uma percepção do estado de risco vivenciado pela população. É o caso de uma auxiliar de serviços gerais de 35 anos de idade que utiliza o transporte coletivo diariamente para se locomover até o trabalho no Centro da cidade. Ela conta que uma sobrinha dela estava dentro de um dos ônibus que foi assaltado na semana passada.
“Ela me disse que um rapaz entrou no ônibus e foi logo dizendo que era um assalto. Aí pegou o dinheiro do motorista e saiu correndo para dentro de um matagal”, lembrou a mulher, que mora no bairro há cinco anos e que pediu para não ter a identidade divulgada.
A dona de casa de 50 anos, que por questões de segurança será chamada de Maria, também faz uso regular dos ônibus que circulam pelo Nova Vida. Ela disse que, depois que ouviu falar desses assaltos contra transportes públicos da região, sempre que precisa utilizar o coletivo dá uma sensação de temor. “Eu já entro no ônibus com medo de que aconteça um assalto. Quando dá, prefiro até pegar um táxi-lotação ou mototáxi”, revelou ela.
Nas principais paradas de ônibus do bairro, é comum encontrar relatos de usuários amedrontados com a atual onda de assaltos. Uma estudante de 17 anos de idade também é passageira assídua de transportes coletivos que circulam pela área. A jovem reside em uma das principais ruas da localidade e faz uso do ônibus para conseguir chegar até a escola em um bairro próximo. “Se esses assaltos continuarem, vou tentar ir para o colégio de bicicleta”, contou ela.
Memória: Desde o último dia 26 de julho, a reportagem do Jornal De Fato vem acompanhando a repercussão dos assaltos contra ônibus no bairro Nova Vida. Na época, a empresa de ônibus Cidade do Sol, através da gerência, mandou recolher todos os veículos durante o período da tarde daquele dia da linha para essa área da zona leste da cidade.
Na ocasião, a gerente Viviane Pereira informou que, somente naquela semana, motoristas da empresa já tinham sido alvo de três assaltos. Em um dos casos, segundo Viviane, o assaltante teria praticado o roubo com o uso de um facão. Ainda conforme a gerente, tanto os três assaltos contra a Cidade do Sol quanto o roubo contra a Sideral foram registrados na Polícia Civil.
Medo ao volante: Os recentes casos de roubo contra transportes públicos no Nova Vida não preocupam somente os usuários de ônibus. Além dos passageiros, motoristas de coletivos também “sentem na pele” ataques praticados por assaltantes. Sob a condição de também não terem as identidades divulgadas, temendo possíveis represálias, dois condutores de ônibus que circulam pelo bairro também contaram como convivem com a sensação do medo de serem assaltados a qualquer momento.
“Trabalho como motorista de ônibus há 16 anos e, graças a Deus, nunca fui assaltado. Mas, sei de vários relatos de colegas de trabalho aqui na cidade que já foram roubados durante o horário de expediente”, relatou o profissional do volante de 56 anos de idade. “Na semana passada, teve um motorista da empresa que foi assaltado quando ia fazer a parada do lanche”, contou ele, pontuando que o crime aconteceu próximo ao Bar do Cajueiro, ponto limite do atual percurso realizado pelos ônibus no bairro.
Outro motorista confirmou que os assaltos registrados recentemente motivaram a redução do trajeto que anteriormente era feito pelos transportes coletivos. “Tem ônibus, como o Leste-Oeste, que já vinha só até o Bar do Cajueiro mesmo, mas outros seguiam até outras partes do bairro. Só que, com os assaltos, o percurso teve que ser alterado para não circular por trechos mais perigosos”, esclareceu ele, explicando que, além do Leste-Oeste, também tem as linhas Circular e Nova Vida, que circulam pelo bairro de mesmo nome da última linha.
Trajeto reduzido: Uma das principais consequências dos recentes assaltos registrados contra ônibus no bairro foi a redução do trajeto realizado pelos transportes coletivos. Segundo uma aposentada de 65 anos de idade que mora na parte mais periférica do Nova Vida, o transporte público não vai mais até a área onde ela mora. “Agora, quando eu preciso pegar o ônibus para ir ao hospital no qual faço tratamento de diabetes, tenho que andar uns dez minutos para conseguir ir até a última parada.”
Uma dona de casa de 28 anos, que está grávida de cinco meses e mãe de dois filhos pequenos, também mora em uma das últimas ruas mais afastadas do bairro e sofre com a mudança no percurso dos ônibus após os roubos da semana passada. “Tenho que acordar de madrugada para poder caminhar devagar até chegar ao ponto de ônibus com as crianças e ir deixá-las na creche.”

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