Editorial UNIBUS RN: (A volta da) Insegurança coletiva

O oitavo mês do ano chegou e, com ele a temporada dos ventos na capital potiguar. Se por um lado é benéfico, já que traz uma sensação de tempo agradável no inverno chuvoso potiguar, por outro trouxe consigo o aumento da criminalidade no transporte de passageiros, seja ele urbano ou rodoviário.
Todo o Nordeste está sofrendo com o aumento dos casos de assaltos a ônibus. Não importa o lugar: seja na cidade grande, no interior ou nas estradas, sempre tem alguém disposto a interromper a viagem das pessoas para subtrair os pertences dos passageiros e dos operadores.
Desde junho, o UNIBUS RN vem mostrando, com muita freqüência, a escalada da violência em diversos pontos do Nordeste. Nessa mesma coluna, já tratamos desse terrível tema, mostrando casos como os de Fortaleza (que teve um aumento de 390% nos casos de assaltos a ônibus), São Luís, Alagoas e Sergipe, onde o índice de assaltos a ônibus está crescendo assustadoramente.
Enquanto isso, nossa realidade está seguindo a mesma linha. Natal, de abril pra cá, está vivenciando uma nova onda de assaltos a ônibus. Em junho, havíamos mostrado nessa coluna que, até o dia 6 daquele mês, foram registrados 228 assaltos nos ônibus que circulam na região metropolitana de Natal.
O tempo passou, mas os assaltos continuaram. O SETURN atualizou esses números e informou, no último dia 05, que, até aquela data, haviam acontecido mais 99 assaltos, totalizando 427 ocorrências. Só nos cinco primeiros dias de agosto, foram 20 – comparando com 2012, já é o correspondente a todos os roubos do mesmo mês.
A situação tá tão fácil para os criminosos, que eles deitam e rolam. Sem ao menos levar armas em algumas ocasiões, conseguem impor medo aos passageiros e operadores. Quando estão armados, acontece algo pior, como o que ocorreu com um motorista da Oceano assaltado, pasmem, em frente a uma delegacia.
Tal situação continua mostrando o quanto é falha a segurança em nosso país. Os bandidos deitam e rolam, podendo fazer os assaltos em qualquer horário e com o ônibus circulando até mesmo em locais movimentados. Câmeras de segurança, GPS e “botão do pânico” não são mais empecilhos para a ação dos marginais.
Aí, se pergunta: cadê a polícia para se coibir essas ações? A resposta é o mesmo clichê de sempre: “estamos nas ruas, intensificando as operações e barreiras”. Dessa vez, após uma paralisação dos ônibus por 7 horas, a PM resolveu colocar seus homens na rua – mas, é óbvio que é um paliativo. Em breve, voltam para o quartel, deixando as ruas a mercê da bandidagem;
Mas, a situação de insegurança total expõe também outro fator preocupante: a idade dos criminosos. Diversos casos, em Natal, estão sendo atribuídos a menores de idade – que possuem penas mais brandas no código penal em relação aos maiores de 18 anos. É comum vermos adolescentes sendo apreendidos assaltando ônibus. Chegou-se ao absurdo de apreender um garoto de 9 anos assaltando um ônibus. É uma vergonha! Assim, este site apela, através deste Editorial, para que as autoridades mexam os pauzinhos e alterem, o mais rápido possível, a legislação vigente para que, ou as penas sejam maiores, ou quem tenha menos de 18 anos sofra punições equivalentes a dos adultos.
Como diriam os marginais, a treta tá grande. E quem sofre com isso, infelizmente, são motoristas, cobradores e, principalmente, os usuários – todos indefesos perante a situação de insegurança pública vivida em nosso país.

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