Ciclistas tomam as ruas da Natal

Sem estatísticas oficiais, Canutto estima, pela experiência que tem, uma quantidade de 10 mil ciclistas em Natal que utilizam a ‘magrela’ para trabalhar ou para o lazer. Uma parte considerável dessas pessoas está concentrada na zona Norte de Natal, onde estão bairros de renda menores a outras áreas da cidade. Em 2012, quando o Plano de Mobilidade Urbana foi lançado pela Prefeitura de Natal, antes das ciclofaixas e ciclovias, estimava-se 3,5 mil viagens por dia em bicicletas.
Genivaldo Bezerra usa a bicicleta há 25 anos – Foto: Adriano Abreu/Tribuna do Norte
Quem sempre trabalhou de bicicleta sente uma melhora nas vias. Genivaldo Bezerra, 49 anos, é morador do Nova Natal e vai à Ribeira, onde trabalha lavando carros, todos os dias de bicicleta. É um trecho de 20 quilômetros que percorre há 25 anos: no início, pela ponte de Igapó; depois, pela balsa da Redinha, criada antes da ponte Newton Navarro; e, por fim, a ponte. “Aí facilitou muito”, disse. “Hoje eu nem sinto cansaço mais, quando vejo estou em casa”
Genivaldo percorre o caminho em uma hora, 20 minutos a menos do que quando fazia o trajeto pela ponte de Igapó. Um dia, no ano de 2016, sofreu um acidente que quase o tirou das bicicletas. Conta que foi trancado por uma moto quando estava voltando para casa, caiu e fraturou a tíbia. Foram 22 dias no hospital e mais 15 dias em casa até ter vaga para fazer a cirurgia. “Até hoje eu sinto dores”, relata Genivaldo, mostrando a perna fraturada, mais afilada que a outra. “Nunca me recuperei totalmente, mas também não pensei em parar de andar de bicicleta. Isso aqui é a minha atividade física”.
A decisão de andar de bicicleta foi ao acaso. Genivaldo pediu o veículo emprestado de um amigo, começou a pedalar e nunca mais parou. Isso em meados da década de 90, numa época que não existiam ciclovias na cidade. Essas só foram pensadas em 2012, com o Plano de Mobilidade prevendo 72 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e faixa compartilhada com ônibus nas quatro zonas de Natal. Quase sete anos depois, cerca de 44 km saíram do papel.
A política de mobilidade disseminou as faixas compartilhadas – quando é reservado uma faixa somente para ônibus e bicicletas. O custo da instalação é mais barato e beneficia dois modos de transporte. José Canutto, presidente da Acirn, relata que no início haviam problemas com esse compartilhamento, um veículo gigante perto de uma bicicleta. “Atritos com motoristas e os ciclistas eram frequentes”, conta.
Para tentar criar um ambiente mais seguro, a Acirn começou a defender a criação de ciclovias – que seriam exclusivas para bicicletas – e no ano passado adotou uma nova estratégia: palestras com motoristas para uma convivência pacífica. Tem dado certo. “A gente começou a fazer esse trabalho no ano passado com os motoristas e melhorou muito”, afirmou Canutto. “As ciclovias seriam soluções, mas é difícil construir elas na cidade porque não existe espaço. A nossa luta é, na verdade, a criação de um espaço verdadeiramente democrático”.
Mesmo com as melhorias, o risco por ser ciclista em Natal não deixou de existir. Felipe Beniz, 22 anos, utiliza a bicicleta para se locomover entre o local onde mora, em Potilândia, e o Instituto Federal, onde estuda, e também para trabalhar realizando entregas. Segundo conta, constantemente é trancado por carros.
Segundo Canutto, o maior resultado dos avanços nos últimos anos criaram a possibilidade de ser ciclista em Natal. “Isso não quer dizer que o risco de ser ciclista em Natal não existe. Essa melhora quer dizer que hoje se tornou possível ser ciclista aqui. Antes era impossível”, reiterou.
Números
10 mil pessoas usam a bicicleta para se locomover ou como lazer
3,5 mil viagens por dia foram estimadas em 2012
72 quilômetros de ciclovias foram criadas na capital 
Tribuna do Norte

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