Pesquisa aponta impeditivos para uso de carros sem motoristas

Em 2013, o Google divulgou que veículos autônomos estariam nas estradas dentro de cinco anos no máximo. Seis anos se passaram desde então, e ainda não vemos esses modelos nas ruas. É evidente que as pesquisas e testes continuam, mas o carro, finalizado e completamente apto para utilização, ainda é um plano distante. Mas por quê? Foi para responder essa pergunta que o Cuponation, plataforma de descontos online pertencente à alemã Global Savings Group, realizou um levantamento sobre os principais impeditivos, especialmente no Brasil, para a efetiva conclusão da proposta. 
Nissan Leaf Autônomo (Foto: Divulgação)/Ilustração
Os carros autônomos não cometem as mesmas atrocidades no trânsito realizadas por motoristas humanos. Eles não fazem ligações ou usam o celular para outras finalidades, não “dirigem” embriagados, nem qualquer  atividade que seja contra a lei. Para se ter uma ideia, o levantamento de 2017 da coordenação de comunicação social da Polícia Rodoviária Federal apontou que os principais motivos das mortes no trânsito daquele ano foram falta de atenção e velocidade incompatível com a permitida. Veja todas as causas no infográfico interativo.
Por outro lado, a Waymo, uma das empresas que mais investe nos testes em carros sem motoristas, disponibilizou automóveis autônomos para alguns residentes de Phoenix, no Arizona (EUA), levando-os para diferentes compromissos. Durante o trajeto estava sempre disponível um motorista caso alguma adversidade aparecesse, e o detalhe é que na maioria das vezes foi necessária a intervenção do condutor.
Em se tratando de adversidades para os veículos autônomos, as condições climáticas podem ser um ponto de partida. Nos Estados Unidos, os períodos de intensa neve podem atrapalhar o bom desempenho do veículo. O mesmo acontece no Brasil, onde a chuva, a neblina e mesmo o sol intenso em determinadas regiões do país podem afetar diretamente a recepção de sinais dos sensores e outros dispositivos do carro. 
Além do clima, existe um quesito subjetivo muito difícil de ser contornado. Segundo John Leonard, roboticista americano e professor de Engenharia Mecânica, as relações na condução de veículos envolvem aspectos tanto técnicos quanto sociais. Estes últimos demandam linguagem corporal dos motoristas, comunicação oral e até mesmo intuição. Situações como acidentes de carro e diálogos entre motoristas e pedestres, por exemplo, podem ser bastante confusas para o sistema. Muitos estudos e adaptações precisariam ser feitos com a inteligência artificial para substituir essas demandas sociais.
Numa perspectiva mais econômica e até sociológica, o uso de veículos sem motoristas eliminaria do mercado cerca de quatro milhões de trabalhadores estadunidenses, de acordo com um estudo da Global Policy Solutions. Em proporções semelhantes, o desemprego afetaria também outros países incluindo o Brasil, e para sanar tal problema seria necessária uma reestruturação na economia.
Por fim, a relação entre os carros autônomos e os motoristas de veículos comuns precisa ser analisada. Antes de mais nada porque os veículos sem motoristas são programados para seguirem à risca as leis de trânsito, o que significa que não ultrapassarão, por exemplo. Muitos motoristas podem tirar vantagem dessas circunstância, e nesse quadro é possível que aconteça uma segregação do carros sem motoristas. Entretanto, esse não é o objetivo final de tantos anos de estudo sem motoristas.
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Administração UNIBUS RN

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