Artigo: As leis de mercado e o futuro do transporte

Atualmente passamos por um período interessante e ao mesmo tempo assustador de evolução tecnológica acelerada mundial. São aplicativos que resolvem tudo, drones, carros autônomos, robôs etc. Vivemos os utópicos filmes de ficção científica. Essa evolução tecnológica é tentadora e sensual como o anel do filme o Senhor dos Anéis. Pegar esse tesouro tem um preço maligno regido pelas infalíveis leis de mercado. É como descobrir um vinho ou um restaurante bom e barato, com certeza ou ele quebra/desaparece ou aumenta de preço, mas aí já será tarde e você já será dependente, e vai pagar todo o preço da vantagem que teve anteriormente.
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Isso é o que os aplicativos de transporte estão fazendo, mas de uma forma mais poderosa, também chamada em economia de dumping. Eles estão subsidiando tarifas baratas e atrativas, pressionando governos, para quebrar a concorrência com dinheiro dos acionistas que acreditam na “Magia do Anel”, apesar de dois anos de balanço negativo na bolsa americana. Vivemos a tentadora armadilha da desregulamentação do mercado de transporte.
As experiências internacionais de desregulação (livre mercado) de transporte foram todas malsucedidas, tais como na Inglaterra e no Chile. Pesquisador Darbéra, em 1993, relatou: “Em 1989 no Chile ao nal de 10 anos, concluiu-se que o resultado ocorrido foi exatamente o oposto ao esperado, com a queda de demanda; o aumento das tarifas; fortes cartéis, e aumento de poluição e congestionamentos”.
Portanto, o que vivemos na verdade não é um filme de ficção científica, mas mais um episódio de Vale a Pena Ver de Novo.
Em Porto Alegre os aplicativos estão roubando aproximadamente 7% a 10% dos passageiros dos ônibus (maior do que a margem de lucro dos empresários garantida por lei), roubam de 20% a 40% da demanda de lotações, acabando com o serviço. O transporte público, que foi duramente organizado por anos para funcionar, está enfraquecendo, e as cidades vão pagar com o trânsito caótico, poluição, etc, etc.
Ou os aplicativos vão quebrar (dar prejuízo aos acionistas) e deixar a bagunça, ou vão virar um monopólio e cobrar o que quiserem, operando com carros autônomos sem mesmo empregar um único motorista.
E os governos ainda vão ter que indenizar na Justiça aos empresários os desequilíbrios contratuais. As tecnologias evoluem, mas as leis de mercado não falham! Abram os olhos antes que seja tarde!
Felipe Sousa
Engenheiro Civil

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