Chefe da Volks pede virada radical para sobreviver

O executivo-chefe da Volkswagen, Herbert Diess, alertou que a maior montadora de automóveis do mundo terá de abater algumas vacas sagradas e se transformar em empresa de tecnologia para sobreviver à turbulência na indústria automobilística mundial.
Herbert Diess, presidente da Volkswagen
Ao falar para 120 executivos em Berlim, Diess condenou a falta de urgência nas fileiras da Volks e alertou que a passagem para a produção de veículos elétricos exigirá mudança radical de direção.
Na semana passada, um órgão sancionado pelo governo informou que mais de 400 mil empregos estariam em risco na maior economia da Europa se as montadoras do país não conseguissem manter vantagem competitiva.
Em seu discurso anual aos diretores e gerentes, Diess lamentou a incapacidade da empresa de atrair investidores com tanto sucesso quanto a rival americana Tesla, cuja capitalização de mercado está se aproximando da Volkswagen.
Somos avaliados como uma empresa automobilística, enquanto a Tesla é avaliada como uma empresa de tecnologia, disse Diess, que enfatizou que a competência na área de software determinaria o sucesso futuro da Volkswagen.
No ano passado, o executivo-chefe da Tesla, Elon Musk, abalou o setor ao anunciar que a empresa construiria uma fábrica em Brandemburgo, a menos de 200 quilômetros da sede da Volkswagen.
A montadora alemã investiu mais do que qualquer outra no desenvolvimento de veículos movidos a bateria, mas enfrenta um ano crítico, em que deve começar a vender centenas de milhares de carros elétricos se não quiser correr o risco de violar as regras da União Europeia e receber multas enormes de Bruxelas.
A tempestade está apenas começando, disse Diess aos participantes do encontro, acrescentando que o tempo dos fabricantes clássicos de automóveis acabou.
O chefe bávaro insinuou que pode haver novo desmembramento do grupo Volkswagen, que hoje é composto de 12 marcas. Ele disse que a Volks reestruturaria seu portfólio com um foco claro em seu negócio principal e elogiou a cisão bem-sucedida da divisão de caminhões Traton no ano passado.
Na semana passada, a montadora, com sede em Wolfsburg, informou volume de vendas recorde em 2019, quase 11 milhões de veículos, apesar da desaceleração na China. Mas Diess disse que existe a necessidade de repensar de forma profunda e instou os executivos a se concentrarem menos em volume e mais em margens de lucro.
Ele destacou a marca de luxo Bentley, que fez 10 mil entregas em 2019. A notícia seria mais impressionante se pudéssemos criar retorno maior do que zero, disse. Para ser sincero: preferiria 5 mil entregas e retorno de mais de 20%.
Após iniciativas semelhantes das rivais BMW e Daimler, o chefe da Volks anunciou que a empresa reduziria significativamente seu investimento no MOIA, serviço de transporte baseado em aplicativo que a empresa planejava levar de Hannover e Hamburgo à Londres.
Queremos manter um pé no setor [da economia compartilhada], disse Diess, mas precisamos do foco total da empresa no avanço da mobilidade elétrica.
O primeiro veículo livre de emissões a ser comercializado pela montadora, o ID.3, está saindo das linhas de produção e estará à venda neste ano.
Valor Econômico

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