Como o carro autônomo vai “ouvir” uma sirene?

Veículos sem motorista ainda não desenvolveram sistemas que reconheçam ruídos externos, como sirenes. Pesquisadores na Alemanha trabalham nesse “carro com ouvido”
O problema já surgiu antes mesmo do carro autônomo. Na Europa, já é fonte de preocupação o silêncio do motor dos carros elétricos, pois se percebeu que a ausência de ruído representa um risco ao pedestre que atravessa a via, por exemplo.
No trânsito, o sistema inteligente permitirá distinguir sons. Foto: Fraunhofer IUK
No cenário futuro, quando mais carros dispensarem o motorista, os novos veículos precisarão ter “consciência” dos ruídos do trânsito à sua volta. Deverão ter um tipo de “ouvido” para detectar a sirene de uma ambulância ou de um caminhão de bombeiros, o apito de um guarda, a presença de crianças brincando ou mesmo o grito de alerta de um transeunte.
Uma equipe do Instituto Fraunhofer de Tecnologia de Mídia Digital (IDMT), em Oldenburg, na Alemanha, antecipou-se a essa necessidade, e acaba de construir o primeiro protótipo de um “sistema auditivo veicular”.
Além dos microfones tradicionais, o aparelho inclui uma central de processamento, cujo software já é capaz de identificar os ruídos mais comuns no trânsito.
Sensor acústico inclui microfone no teto do carro para captação de ruídos. Foto: Fraunhofer IDMT/Hannes Kalter
“Apesar do enorme potencial de tais aplicações, nenhum veículo autônomo ainda foi equipado com um sistema capaz de perceber ruídos externos”, conta o engenheiro Danilo Hollosi, chefe do grupo de reconhecimento de eventos acústicos do instituto alemão. “Esses sistemas serão capazes de reconhecer imediatamente a sirene de um veículo de emergência que se aproxima, de modo a que o veículo autônomo saiba então se mover para um lado da via e deixar uma faixa de acesso para os serviços de resgate.”
Para filtrar os ruídos contínuos da cidade e das ruas, inclusive distinguindo ruídos específicos, a equipe usou técnicas de inteligência artificial. “Utilizamos o aprendizado da máquina. E, para ‘treinar’ os algoritmos, adotamos toda uma gama de sons arquivados”, descreveu Hollosi.
A equipe acredita que os primeiros “carros com ouvidos” não deverão chegar ao mercado antes de 2025 – o sistema de processamento ainda precisará ser otimizado, dizem. Mas já apostam que essa tecnologia terá uso em diversas outras áreas, como em sistemas de segurança, controle de qualidade na indústria, telecomunicações, saúde, entre outros.
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