Trólebus continuam em expansão pelo mundo

Trólebus continuam em expansão pelo mundo

Do Mobilize Brasil
Foto: Divulgação Iveco

Cidades brasileiras já tiveram uma boa rede de veículos elétricos no transporte coletivo. Primeiro eram os bondes, que ocuparam as ruas das capitais e de cidades médias. São Paulo, por exemplo, chegou a ter 500 km de trilhos em suas ruas. Uma parte dessas linhas de veículos leves sobre trilhos foi substituída por trólebus – ônibus elétricos alimentados por cabos – inicialmente importados, que passaram a circular em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e várias outras capitais e cidades médias do país.

Dias atrás, recebemos aqui na redação um mapa que permite ver a distribuição das linhas de trólebus em São Paulo nos anos 1980, uma rede bem extensa, mas suprimida gradativamente a partir dos anos 1990. Hoje restam poucas linhas na capital, além do Corredor ABD, operado com trólebus, ônibus diesel e híbridos. E nos últimos anos, com a chegada ao mercado dos ônibus a bateria, tudo parecia indicar a morte dos velhos trólebus com seus “suspensórios” que teimavam em escapar dos cabos de alimentação.

Mas, contrariando essa lógica, vários projetos e investimentos em trólebus estão ganhando terreno, especialmente em países da Europa, como a Suíça, França, Áustria, Itália, Polônia, República Tcheca e Alemanha. Na América Latina, a Cidade do México também está renovando sua velha frota e em Quito, Equador, ônibus híbridos (trólebus-diesel) continuam operando sem sinais de decadência. Equipados com geradores diesel e capazes de escapar às restrições das linhas de transmissão aéreas graças aos sistemas de bateria (in motion charging), os trólebus estão se reinventando como veículos que podem combinar baixas emissões de carbono e flexibilidade em seus itinerários.

Alemanha e Itália

Em fevereiro de 2020, a BVG Berlin anunciou que está considerando uma solução baseada em trólebus no distrito de Spandau, na capital alemã. A ideia é constituir uma rede que no futuro poderá operar veículos biarticulados. A BVG planeja a eletrificação total de sua frota de ônibus até 2030, mas espera que 225 ônibus elétricos cheguem às ruas de até 2021. Para isso, o projeto prevê uma instalação parcial de linhas aéreas de trólebus, de forma a permitir o carregamento de baterias com o veículo em movimento.

Na Itália, os trólebus ainda terão um papel importante em Milão, onde a operadora municipal ATM estabeleceu um plano para chegar a 2030 com uma frota de transporte público de zero emissões. Serão 80 trólebus da marca polonesa Solaris Trollino. O início das operações deveria ocorrer agora, na primavera de 2020, mas problemas técnicos e a pandemia da Covid-19 atrasaram o cronograma. Outras comunas italianas – Modena e Parma – também substituirão seus ônibus por veículos elétricos e esperam receber novos trólebus também fabricados na Polônia, ainda neste ano. Esses ônibus serão dotados de um sistema especial de refrigeração do motor central, permitindo que percorram uma distância muito maior sem a necessidade de serem conectados aos fios aéreos.

Trólebus circula em Limonges, na França Foto: Divulgação Limonges Metropole

França e Suíça

Na França, várias cidades estão adotando novos trólebus com a tecnologia para carregamento das baterias durante a viagem. Limonges, Nancy, Saint-Etienne e Lyon estão testando trólebus, porque consideram que se trata da melhor solução para a transição a uma frota eletrificada. E na Suíça, a frota de trólebus de Lausanne – uma das maiores da Europa – será renovada com veículos da fabricante Hess, que já operam em Berna e Genebra. E também em Riga, capital da Letônia, um lote de dez trólebus foi equipado com um sistema de células de hidrogênio para ampliar sua capacidade de circulação sem a alimentação da rede elétrica.

Trólebus em Riga, Letônia, adaptado com sistema de células de hidrogênio Foto: Divulgação Solaris

México: trólebus chineses


Na América, a prefeitura da Cidade do México recebeu 63 trólebus chineses, da fabricante Yutong e emitiu, em março passado, um novo contrato para até 50 articulados. Esses novos trólebus terão “emissão zero” de última geração, equipados com a tecnologia in motion charging, com 18 metros de comprimento. E entre as especificações do contrato, destaca-se que os trólebus devem circular sem alimentação pela rede elétrica por ao menos 25 km.

*Tradução e adaptação: Marcos de Sousa/ Mobilize Brasil. Texto traduzido e editado a partir da publicação da Sustainable Bus, com extensas contribuições de Stefano Alfano.

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Redação UNIBUS RN

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