Empresas de ônibus recorrem até ao crédito rotativo para sobreviver

Empresas de ônibus recorrem até ao crédito rotativo para sobreviver

Da Rádio Agência Nacional
Foto: Carlos Júnior/Ilustração/Ônibus Brasil

É certo que nem todos passarão pela pandemia da Covid-19 da mesma forma. Segundo relatório divulgado pela Oxfam Brasil, os 42 bilionários do país aumentaram suas fortunas em US$ 34 bilhões entre março e julho deste ano. Mas a riqueza não se multiplicou pra todo mundo.

Após quatro meses de pandemia, as empresas de transporte, por exemplo, ainda enfrentam queda de demanda e do faturamento. Quem afirma é a CNT – Confederação Nacional de Transportes que tem acompanhado, por meio de pesquisas, os impactos da Covid-19 no setor.

Diretor-Executivo da CNT, Bruno Batista afirma que o cenário é crítico, inclusive com fechamento de empresas. E são as empresas de transporte de passageiros as mais afetadas.

“Pelas nossas estimativas é a maior crise que se abate sobre o setor. O que os dados mostram é que o setor está sangrando e a gente está falando tanto do transporte aéreo, que está aí com mais de 80% paralisada, as pessoas não estão viajando mais, os voos internacionais estão paralisados. O transporte de passageiros urbanos, sobretudo, é o setor mais atingido, tanto de empresas que transportam passageiros por ônibus, como pelos sistemas metroferroviários. A gente vê empresas ficando pelo caminho, empresas com capacidade de pagamento extremamente comprometida.”

Indiara Ferreira é Diretora Executiva do Grupo HP Transportes. A empresa é responsável por 28% do transporte coletivo da região do arco sul de Goiânia. Ela relata que a empresa já perdeu 70% dos passageiros.

“Passamos a operar com 30% do faturamento. Não é suficiente nem para manter nem a operação da empresa. E isso foi bastante grave porque a gente não tinha caixa em função da crise que já vive o transporte público coletivo. A nossa empresa tem 50 anos e a gente. Nós estamos fazendo todo o esforço para sobreviver.”

A executiva da empresa goiana afirma que a HP reduziu custos, aderiu ao programa emergencial do governo federal que permite a redução da jornada e do salário dos trabalhadores, demitiu funcionários recém-contratados e recorreu a empréstimos.

Segundo a CNT, as empresas destacam a isenção de tributos federais durante a pandemia e a oferta de crédito com carência estendida e taxas de juros reduzidas como prioritárias para a sobrevivência do setor.

A pesquisa da Confederação aponta ainda que, desde o início da crise, 52% das empresas de transporte solicitaram aos bancos algum tipo de financiamento, no entanto, mais da metade teve a solicitação negada.

Segundo Bruno Batista, não existe nenhuma linha de crédito específica para o setor, e o empresariado, pressionado a cobrir custos, pagamento de fornecedores e impostos atrasados, foi atrás de qualquer tipo de crédito disponível. “O número que mais chamou a nossa atenção foi o número absurdo de 34% das empresas já terem ido atrás do crédito rotativo, que é o pior tipo de crédito. É o crédito mais caro, com as piores condições de pagamento.”

Para a CNT, caso não ocorra um socorro governamental, segmentos, como o transporte urbano de passageiros, podem entrar em colapso.

O Ministério da Economia afirma que não tem poupado esforços para que o crédito dos programas emergenciais possa chegar efetivamente às empresas.

Umas das linhas de crédito disponível – o Pronampe – teve seus recursos esgotados ainda no primeiro mês de operação e o ministério trabalha para ampliar o programa. A expectativa é que ainda em agosto R$ 12 bilhões estejam disponíveis para crédito nos bancos.

De acordo com a CNT, 90% das empresas da área de transporte que buscaram o crédito pelo Pronampe ou tiveram a solicitação negada ou ainda esperam o retorno do pedido.

O superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos, Luiz Carlos Néspoli, acredita que, além do crédito, é preciso garantir que as empresas de ônibus que tiveram que manter a frota mesmo com o número de passageiros reduzido, tenham os custos cobertos pelo Poder Público.

Para Eduardo Sanovix, presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas, a desvalorização do real frente ao dólar também teve impacto na aviação. “O Brasil, sendo este ano o campeão mundial de desvalorização cambial, nós abrimos o ano com o câmbio um pouco abaixo de R$ 4 e chegamos a quase R$ 6. Isso gera um impacto brutal dos nossos custos.”

Para as empresas aéreas, o socorro chegou. Dia 5 de agosto, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei que prevê medidas emergenciais para o setor. O projeto aprovado pelo Congresso Nacional permite que recursos do Fundo Nacional da Aviação Civil possam ser disponibilizados para empréstimos às empresas que comprovem prejuízo devido à pandemia.

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Redação UNIBUS RN

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