“Ciclovias corona” da Europa poupam US$ 3 bi por ano em saúde

“Ciclovias corona” da Europa poupam US$ 3 bi por ano em saúde

Da Forbes
Foto: “Ciclovia corona” em Berlim, Alemanha – adfc Berlin

As “ciclovias corona”, instaladas emergencialmente em muitas cidades europeias, trarão ganhos de US $ 3 bilhões por ano em investimentos para a saúde, revela um novo estudo de pesquisadores alemães. Usando dados históricos de contadores de ciclistas em 106 cidades europeias, os pesquisadores estimam que as ciclovias temporárias instaladas durante a pandemia do coranavírus levaram a um aumento de 7% nas taxas de ciclismo, em média.

“Cada quilômetro [de ciclovia emergencial instalada] aumentou o ciclismo em cada cidade em cerca de 0,6%”, afirma o artigo, publicado em 14 de agosto. “Calculamos que as novas infraestruturas irão resultar em US $ 3 bilhões de benefícios de saúde por ano”, disseram os autores do estudo, Sebastian Kraus e Nicolas Koch, que trabalham nos institutos Mercator Research Institute on Global Commons and Climate Change (MCC), de Berlim, e no Institute for Climate Impact Research (PIK), de Potsdam.

Um monitoramento da Federação Europeia de Ciclistas (ECF), com sede em Bruxelas, indica que os governos europeu se comprometeram a instalar 2.315 quilômetros de ciclovias durante a pandemia. Destes, 1.094 quilômetros foram instalados com sucesso, e ainda estão em operação, informa o rastreador Covid-19 da ECF. A ferramenta indica que os governos locais investiram mais de um bilhão de euros em infraestrutura e em outras ações para a promoção da bicicleta.

O investimento atendeu a uma recomendação publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 21 de abril. Andar de bicicleta e caminhar foram considerados úteis tanto para o distanciamento social como para atender aos requisitos mínimos de atividade física diária, afirma a orientação da OMS. Desde o início da pandemia, cidades ao redor do mundo começaram a ceder espaço viário para ciclistas e pedestres, proporcionando às pessoas o tipo de espaço generoso geralmente concedido aos motoristas.

“A atual crise de saúde nos obriga a repensar nosso sistema de mobilidade”, disse Valérie Pécresse, presidente da Île-de-France (uma da regiões administrativas de Paris), a um jornal francês em abril. Ela acrescentou na época que as “ciclovias corona” poderiam ajudar a prevenir a paralisia completa do trânsito, caso houvesse uma mudança massiva em direção ao carro particular (tal como está acontecendo agora no Brasil). Na Inglaterra, diretores de hospitais do sistema público de saúde (NHS) pediram a instalação de ciclovias e de calçadas mais largas nas proximidades das unidades de saúde porque os trabalhadores do setor estavam adotando a caminhada e a bicicleta para chegar aos locais de trabalho. O NHS tem uma força de trabalho de 1,7 milhões de pessoas, o que o faz o maior empregador do Reino Unido e o quinto maior do mundo.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, temia que o colapso no uso do transporte público levasse a um maior uso de carros particulares quando o bloqueio fosse facilitado, o que teria levado a um congestionamento nunca visto nas ruas da capital inglesa. Para evitar essa paralisia, em maio, Khan anunciou um plano de retirar o espaço dos carros para fornecer mais espaço de distanciamento social para caminhantes e ciclistas. E assim foi feito. Em maio, o primeiro-ministro Boris Johnson declarou ao parlamento que o futuro próximo “deveria ser uma nova era de ouro para o ciclismo”.

No entanto, nem todo mundo está feliz com o incentivo ao uso de bicicletas ou com a disseminação de ciclovias coorona no Reino Unido. Organizações que representam empresas de transporte de carga se opuseram à criação das ciclovias e calçadas alargadas. O diretor de relações públicas da Road Haulage Association (RHA), Rod McKenzie, disse que sua organização tem “sérias preocupações” sobre medidas de emergência implementadas para proteger ciclistas e pedestres durante o bloqueio. “A capacidade de transportar mercadorias com segurança e eficiência é fundamental para todos e todos os negócios”, afirmou ele, acrescentando que o foco do governo em incentivar o ciclismo e a caminhada era um “pensamento errado”.

O governo do Reino Unido planeja gastar 90 bilhões de libras em novas rodovias e cerca de 2 bilhões de libras em infraestrutura para a mobilidade ativa. No entanto, McKenzie afirmou que “o ciclismo está sendo desproporcionalmente favorecido em relação a outros setores” porque “apenas 2,5% dos deslocamentos do país são feitos de bicicleta”, justificou o representante do transporte rodoviário.

Mas, como mostram as experiências em outros países, o uso provavelmente aumentará com a oferta de infraestrutura adequada. Ou, como disse o urbanista canadense Brent Toderian, “é difícil justificar uma ponte pelo número de pessoas nadando em um rio”.

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Redação UNIBUS RN

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