Marcopolo: Passos em direção a eletromobilidade

Marcopolo: Passos em direção a eletromobilidade

Da Revista AutoBus
Fotos: Marcopolo

O Brasil ainda tem um longo caminho a trilhar no campo da tração alternativa, com amplas possibilidades quanto aos diversos modelos de propulsão

No Brasil, o uso do ônibus urbano elétrico (aquele com baterias) ainda é tímido. Temos alguns exemplos de cidades que o adotaram, como São Paulo (com a maior frota), Brasília, Bauru, dentre outras, visando promover o transporte limpo e silencioso. Recentemente, duas importantes cidades anunciaram um movimento para inserir em suas estruturas o uso da eletromobilidade em seus sistemas de transporte coletivo.

São José dos Campos, no interior de São Paulo, está implantando a sua Linha Verde, um corredor exclusivo para ônibus elétricos, e que promoverá o transporte livre das emissões poluentes locais. De acordo com a prefeitura, esse sistema é feito sob medida para atender aos modernos conceitos de planejamento urbano e em consonância com as diretrizes do Plano Diretor, visando facilitar o acesso a serviços e estimular o desenvolvimento econômico ao longo de sua extensão, que terá um traçado com 20 quilômetros.

O primeiro, dos 12 ônibus a serem utilizados no sistema, já foi apresentado. Com 22 metros de comprimento, esse veículo, na versão articulada, possui chassi BYD D11B, baterias de fosfato ferro lítio (LifePO4), quatro motores ligados aos dois eixos instalados no módulo traseiro, com potência máxima de 201 cv cada e potência nominal de 148 cv, em cada motor, e autonomia de até 250 km (Sort 1) com uma carga completa. A carroçaria, que recebeu o nome de Attivi Express, desenvolvida pela fabricante gaúcha Marcopolo, acomoda 168 passageiros, além de ter espaços para cadeirantes. O sistema inovador de biossegurança também está presente no salão de passageiros, objetivando a redução do contágio do Covid-19.

O visual externo do modelo é um detalhe a parte, trazendo um conceito de modernidade para o transporte urbano, por meio de seu desenho de vanguarda e a ampla área envidraçada. A carenagem nas rodas dão um tom diferenciado. O acesso ao veículo se faz por duas portas e a entrada baixa, facilita os embarques e desembarques.

No sul do País, a gaúcha Caxias do Sul dá os seus primeiros passos para alcançar a eletromobilidade em seu sistema de transporte coletivo. Por meio da Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade (SMTTM) local, foi lançado o projeto Mobility Lab, que consiste na introdução da tração elétrica na cidade, com a operação de um ônibus movido a baterias e com 12 metros de comprimento, tendo autonomia de 250 km, que deve entrar em operação já no primeiro semestre de 2021. Também participa nesse projeto a Marcopolo Next, divisão de inovação da encarroçadora Marcopolo, com a premissa de desenvolver soluções para o futuro da mobilidade.

A iniciativa coloca o município da serra gaúcha no mapa do transporte eletrificado brasileiro. Os testes começam no final deste ano, em área fechada. Depois, o veículo vai para as ruas, ligando o bairro de Ana Rech ao centro da cidade. O período de testes compreende a avaliação do desempenho do veículo na aplicação urbana e as vantagens proporcionadas para a comunidade, por meio da telemetria e de sistemas de controle, que serão instalados a fim de solidificar informações dos veículos em tempo real. Entre os pontos monitorados o de payload (carga versus consumo energético para definir qual a exigência da operação) e do torque de saída do motor, bem como índices de temperatura e umidade.

Além dos serviços urbanos, uma nova modalidade para o ônibus elétrico começa a ganhar forma. Trata-se do transporte fretado, com algumas operadoras brasileiras investindo em veículos com características rodoviárias, visando uma mobilidade coletiva de baixo carbono.

As vantagens do uso do ônibus elétrico são muitas, como a utilização de uma matriz energética mais limpa; a não emissão de fumaça ou barulho; atinge o torque mais rápido, o que torna seu desempenho melhor em baixas velocidades, comum nos centros urbanos e sua vida útil é potencialmente maior e o custo da operação e manutenção são menores.

Mas, é preciso mais. O setor de transportes tem a sua responsabilidade para com as emissões de gases poluentes que tanto afetam o clima mundial e ações como as referidas acima são muito bem-vindas e representam ganhos. No tocante a transporte coletivo, o modal ônibus necessita de medidas que lhe proporcionem condições adequadas de operação, como vias exclusivas, prioridade e acessibilidade (física e econômica). Previsibilidade é a palavra chave que deve lhe acompanhar. Há mais considerações a serem postas na pauta. Apenas trocar a sua matriz energética sem atentar para o fato da falta de velocidade, o que é comum em sua operação, conseguiremos apenas a redução da poluição local. Sem fluxo, os ônibus continuarão presos no tráfego, perdendo tempo e dinheiro. Tração limpa deve ser combinada à velocidade. Só assim o modal alcançará o desempenho diferente do que hoje lhe é atribuído.

O Brasil ainda tem um longo caminho a trilhar no campo da tração alternativa, com amplas possibilidades quanto aos diversos modelos de propulsão. Resta apostar nisso, adotando um significativo programa de fomento que proporcione a transformação na matriz energética dos transportes.

Redação UNIBUS RN

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