Anfavea atribui pedido de adiamento do Euro 6 no Brasil à pandemia de Covid-19 e defende inspeção veicular

Anfavea atribui pedido de adiamento do Euro 6 no Brasil à pandemia de Covid-19 e defende inspeção veicular

Do Diário do Transporte
Foto: Divulgação Scania/Ilustração

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) atribuiu à pandemia de Covid-19 o pedido que fez para o adiamento da entrada de uma nova tecnologia que deixaria caminhões e ônibus menos poluentes e que já é aplicada nos veículos pesados da América do Norte, Europa e países de outras regiões, como o Chile.

A alegação foi feita pelo presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes, e técnicos da representante das montadoras, nesta terça-feira, 15 de dezembro de 2020.

A transição do atual padrão Euro 5 para o Euro 6 foi programada pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) para ocorrer entre 2022 e 2023, mas a Anfavea sugere a postergação.

O vice-presidente da Anfavea, Marcos Saltini, rebateu as informações que davam conta que as montadoras pediram o adiamento por questões financeiras.

Já o diretor-técnico da Anfavea, Henry Joseph Jr, negou também que a entidade pediu que a implantação das normas fosse atrasada em dois ou três anos.

De acordo com o executivo, a entidade dos fabricantes pediu “um debate sobre o período mais adequado para a introdução do Euro 6”

Marcos Saltini disse que, por causa da pandemia, houve suspensão de trabalho nas fabricantes e órgãos técnicos, pela paralisação dos trabalhos em decorrência das medidas dos estados e municípios para conter o avanço da doença e pela impossibilidade de muitos dos estudos e testes serem desenvolvidos de forma remota.

Saltini ainda rebateu o argumento de que as montadoras no Brasil, cujas sedes ficam nos países onde o Euro 6 é realidade há anos, poderiam trazer para o País toda a tecnologia já empregada no exterior.

Para o vice-presidente da entidade, a questão não é “tão simplista”, já que o Brasil tem especificidades, como topografia que varia entre regiões, combustíveis (por exemplo, o biodiesel no diesel), carregamentos dos veículos (os caminhões no Brasil andam com mais carga e os ônibus mais lotados) e até a questão de financiamento de novas tecnologias.

“Enquanto na Europa, os caminhões transportam 40 toneladas, no Brasil tem até carregamentos de 70 toneladas. Ônibus urbano no Brasil anda com 160 passageiros no horário de pico [dependendo do modelo]. Imagine você no transporte público e ele não conseguir enfrentar uma subida?” – complementou Moraes

O Diário do Transporte questionou os executivos da Anfavea o motivo pelo qual as indústrias no Brasil já produzirem chassis Euro 6 para exportação e se queixarem do prazo para começarem a produzirem para o mercado interno.

Saltini disse que estes veículos são montados no Brasil apenas, mas foram desenvolvidos para os países aos quais se destinam, muitas vezes com componentes feitos nos países-sedes das fabricantes.

Henry Joseph Jr afirmou que não é possível depender apenas das fases do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores) para reduzir a poluição.

O diretor-técnico disse que são necessárias outras medidas, como intensificação da inspeção veicular e renovação da frota.

“Ter carro velho na Europa é punição, aqui no Brasil, é prêmio” – disse

A Anfavea, na coletiva, ainda sustentou que o atual padrão em vigor Euro 5 de emissões (que entrou em vigor entre 2021 e 2013), trouxe vantagens ambientais que considerou como “significativas”.

Segundo dados apresentados pelas montadoras a atribuídos à Cetesb, em comparação com 2006, o Euro V (Proconve P7) resultou em 2019, em queda de 55% de emissões de Monóxido de Carbono (CO); de 31% de Óxidos de Nitrogênio (NOx); de 56% de Materiais Particulados (MP); enquanto a frota circulante subiu 67% entre 2006 e 2019.

MPF MANTÉM POSIÇÃO CONTRÁRIA À ANFAVEA

Como mostrou o Diário do Transporte no último dia 22 de novembro de 2020, o MPF (Ministério Público Federal), em ofício assinado pelo Procurador Regional da República José Leonidas Bellem de Lima, coordenador do Grupo de Trabalho de Qualidade do Ar da 4 ª CCR (Câmara de Coordenação e Revisão), manteve posicionamento do órgão contrário às propostas da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) que quer o adiamento da entrada em vigor das normas de restrição às emissões de poluição por ônibus e caminhões a combustão com base no padrão internacional Euro 6, já aplicado em diversos países.

Segundo o procurador federal, para a saúde pública as consequências do adiamento do prazo poderiam ser prejudiciais.

“No concernente à proteção ambiental, que é com efeito a vigamestra da atuação do GT Qualidade do Ar, não há dúvida que o atraso defendido pela Anfavea significará graves malefícios à qualidade do ar e à saúde da população, fatores esses que deveriam pautar qualquer discussão sobre um programa como o Proconve (e também, frise-se, todo e qualquer ato do Conselho Nacional do Meio Ambiente, que afinal foi criado com a finalidade de “deliberar, no âmbito de sua competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida”, como institui o art. 6º, inc. II, da Lei nº 6.938/1981).” – escreveu no ofício.

Redação UNIBUS RN

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