Prefeito do Rio promete recuperar BRT do Rio “assustadoramente sucateado”

Prefeito do Rio promete recuperar BRT do Rio “assustadoramente sucateado”

Do Diário do Transporte
Foto: Divulgação

Prefeito recém-empossado ainda diz que em sua gestão será concluído o “BRT Transbrasil”. Auditoria mostrou que parte dos problemas dos corredores vem da época que Eduardo Paes implantou os sistemas

ADAMO BAZANI

O sistema de corredores de ônibus rápidos no Rio de Janeiro foi um dos temas da posse do prefeito recém-eleito Eduardo Paes, que promete recuperar o BRT (Bus Rapid Transit).

Além disso, nesta sexta-feira, 01º de janeiro de 2021, Paes disse que vai terminar ainda em sua gestão o BRT Transbrasil.

Todas as declarações coincidem com promessas da campanha de Paes que retorna ao poder.

Com as obras licitadas em 2014 e com promessa de entrega em 2016, o BRT Transbrasil deve, quando ficar pronto, ligar a região central a Deodoro, na Zona Oeste, em 39 km de extensão com 17 estações. A capacidade prevista é de 900 mil pessoas transportadas por dia.

O valor inicial era de R$ 1,5 bilhão, mas segundo o Tribunal de Contas do Município do Rio (TCM-RJ), os atrasos decorrentes desde problemas com empreiteiras até com a própria licitação em si, geraram um prejuízo de R$ 730 milhões aos cofres públicos.

Sobre os outros três corredores em operação (BRT Transcarioca, BRT Transolímpica e BRT Transoeste), o que são soluções de mobilidade utilizada em diversos países (inclusive de primeiro mundo), não entregam à população os benefícios de forma integral por problemas muitas vezes não relacionados necessariamente aos transportes.

Os vandalismos e ataques a estruturas dos corredores fazem com que diversas estações permaneçam fechadas.

Em setembro de 2020, por exemplo, de 125 estações do sistema, 56 estavam fechadas sendo que 21 há mais de dois anos por furtos e ataques e 35 durante a pandemia de covid-19.

O pavimento dos corredores também é outro problema. Deteriorado em vários pontos, a situação do asfalto danifica os ônibus.

O primeiro erro já está na escolha do pavimento. O tráfego constante de veículos pesados, como os ônibus, exige um material mais resistente, como concreto com treliças de ferro.

E parte dos erros estruturais do BRT Rio começou justamente na gestão anterior de Eduardo Paes e na pressa de entregar os sistemas antes de competições esportivas mundiais.

Um relatório ainda da gestão de Marcelo Crivella frente à prefeitura, apresentado em 22 de agosto de 2018, mostrou que em trechos onde trincas, buracos e deformações eram aparentes no asfalto, foi verificado, segundo a administração, uso de material de qualidade abaixo da especificada no contrato e espessuras até 10 cm menores do que as que deveriam ser utilizadas no concreto. Além disso, o asfalto original já estava aparente.

As inspeções verificaram ainda problemas de drenagem das obras já entregues.

“Em todas as inspeções, encontramos material encharcado, o que não pode acontecer, porque vai propiciar deformações. A drenagem cai para dentro da pista, o que é um equívoco, porque a água acumulada da chuva vai criar rachaduras e comprometer a estrutura do pavimento. Essa estrutura estava com espessuras abaixo do determinado no projeto. Isso demonstra a realização de uma obra sem critério técnico, sem fiscalização, sem qualidade e sem obedecer ao projeto”

Concepção errada do projeto, má execução das obras e utilização de material inadequado também fizeram parte dos apontamentos.

“Encontramos os mais variados problemas. A deformação na calha do BRT é resultado de um pavimento flexível executado fora das especificações, o que gera trincas e outras deformações na pista. Os agentes externos, responsáveis pela degradação do pavimento, são as cargas, o tráfego e as intempéries. Os agentes internos são a concepção errada do projeto, a má execução, o uso de materiais inadequados e a falta de conservação. Tudo isso pode ocasionar esses problemas que constatamos nas inspeções”

Recuperar o BRT de verdade, vai necessitar de várias intervenções, seja de obras, de gestão operacional, renovação de frota dos ônibus e até de segurança pública, já que a violência tem interferido no funcionamento das linhas.

Redação UNIBUS RN

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