Descontrole da pandemia e falta de peças fazem venda de veículos cair 28,2% no primeiro trimestre

Da Folha de SP
Foto: Ivan Bueno/APPA/Ilustração

O primeiro trimestre de 2021 terminou com 528 mil veículos leves e pesados emplacados, uma queda de 5,4% nas vendas na comparação com igual período de 2020. Os dados se baseiam no Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores).

Em relação ao último trimestre do ano passado, época em que se acreditava que o mercado manteria a reação apesar de a pandemia de Covid-19 dar sinais de descontrole, os licenciamentos caíram 28,2%.

Perdas eram previstas, mas não nessas proporções. A disparada de mortes e de casos da doença em março influenciou o resultado.

O mês mais grave da pandemia até aqui começou com médias diárias de vendas por volta de 11 mil unidades, mas houve queda acentuada na segunda quinzena.

O setor automotivo calculava que os licenciamentos ultrapassariam as 200 mil unidades, mas março terminou com 189,4 mil veículos vendidos entre carros de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões. Em relação ao mesmo período de 2020, houve alta de 15,7%.

Além das lojas fechadas por questões sanitárias, da perda no poder de compra e da falta de motivação para adquirir um veículo na situação atual, as montadoras ainda precisam lidar com a falta de peças, que trava as linhas de produção e atrasa a entrega de carros.

A combinação dos fatores levou ao fechamento de fábricas Brasil afora –a interrupção mais recente foi anunciada pela General Motors.

Após paralisar temporariamente as linhas de montagem em São José dos Campos (interior de São Paulo) e em Gravataí (RS), a fabricante suspendeu a produção em São Caetano do Sul (ABC) nesta semana. A unidade produz o Chevrolet Tracker, que foi o utilitário compacto mais vendido do Brasil no mês de março.

Ao todo, 18 fábricas deixaram de produzir em algum momento entre os meses de fevereiro e março, e as paradas devem prosseguir ao longo do primeiro semestre. Os resultados negativos serão revelados na quarta (7) pela Anfavea (associação das montadoras).

Para a indústria automotiva, não haverá retomada robusta sem vacinação em massa. Essa é a opinião de 86% dos executivos entrevistados na edição 2021 da pesquisa Cenários para a Indústria Automobilística Brasileira, realizada no Brasil há oitos anos pela consultoria alemã Roland Berger em parceria com o portal Automotive Business.

?Por meio da Anfavea, as montadoras participam do movimento Unidos pela Vacina, comandado pela empresária Luiza Trajano. Gargalos nas regiões em que há fábricas já foram detectados, com o objetivo de acelerar as campanhas de imunização.

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