Transporte: Em meio ao fogo cruzado

Da Revista AutoBus
Foto: Divulgação/Revista AutoBus

A redução dos deslocamentos de passageiros nas duas maiores cidades brasileiras é reflexo das medidas para conter a Covid-19

A pandemia, os altos casos de contágio do novo coronavírus e a redução da mobilidade têm afetado diretamente os sistemas de transporte público nas cidade brasileiras. De acordo com o aplicativo de mobilidade urbana Moovit, que mede a variação do uso de transporte em mais de cem grandes cidades pelo mundo, houve uma queda durante os dez dias da pausa emergencial decretada em São Paulo e no Rio de Janeiro. Segundo a plataforma, na capital paulista, a redução foi de 7% entre os dias 26 de março e 4 de abril. Já na cidade do Rio de Janeiro, a queda foi maior, de 17%, no mesmo período. A análise considera os deslocamentos de ônibus, metrôs e trens nas regiões metropolitanas das duas cidades.

Para o Moovit, a redução dos deslocamentos de passageiros nas duas maiores cidades brasileiras é reflexo das medidas para conter a Covid-19, como o Plano São Paulo, que está em fase emergencial desde o dia 11 de março. O número de passageiros usando ônibus, metrôs e trens teve uma redução acentuada desde o início da pandemia, mas que vinha se recuperando nos últimos 12 meses.

Entretanto, apesar da diminuição da circulação das pessoas e o estado crítico dos sistemas, há algumas mobilizações em direção à melhoria dos serviços, como é o caso do BRT carioca, com um anúncio recente sobre a necessidade de injeção de recursos prevista pela Prefeitura para devolver qualidade operacional ao sistema. A conclusão da capital fluminense confirma tudo o que foi dito pelos operadores ao longo dos últimos anos, principalmente no período de pandemia, não apenas em relação ao BRT, mas, especialmente sobre os ôni-bus convencionais, que transportam 70% dos passageiros cariocas. “Mantemos a premissa de encontrar soluções viáveis para o transporte rodoviário, reportando demandas necessárias e colaborando com a Prefeitura na busca por um serviço adequado ao deslocamento da população”, observou Paulo Valente, porta-voz do Rio Ônibus.

Ainda, de acordo com a entidade, assim como a cidade do Rio de Janeiro, outros municípios do País estão com dificuldades de manter a linearidade de frotas e linhas nas ruas. Com a queda de metade dos passageiros, as contas para pagar salários, manutenção e combustível não fecham mais. Há poucos dias, esse problema foi, novamente, destacado junto ao Senado sobre a necessidade de ajuda do Poder Público ao setor de transportes, durante reunião com integrantes da Frente Nacional de Prefeitos. “Há mais de um ano expomos insistentemente as dificuldades do transporte rodoviário urbano. É preciso que se compreenda que o transporte é vital, essencial à população, e precisa ser amparado, assim como tantos outros segmentos da economia. Sem a participação efetiva dos governos neste momento extremo de atenção, o cidadão deverá continuar sentindo queda na qualidade do serviço”, ressaltou Valente.

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