Tecnologia é aposta para melhorar sistema de transporte de ônibus no Rio de Janeiro

Do Valor Econômico
Foto Tânia Rêgo (Agência Brasil)

Em meio à crise por que passa o setor de transporte rodoviário no município do Rio, a Secretaria de Transportes (SMTR) decidiu apostar na tecnologia para garantir ao usuário e à própria Prefeitura acesso a um conjunto de informações sobre a frota de ônibus e Bus Rapid Transit (BRT) na cidade.

Ainda em desenvolvimento, a ferramenta tecnológica já permite o acesso a alguns dados no site da SMTR como tamanho da frota em circulação; as estações do BRT ativas e inativas; a evolução da quantidade de passageiros transportados; quantidade de gratuidades transportadas; e os balancetes dos consórcios de ônibus.

A secretária municipal de Transportes, Maína Celidonio, ressalta que, quando estiver pronta e com todas as funcionalidades esperadas em operação, será possível, através de QR Codes impressos nos pontos de ônibus, saber que linhas passam por ali e quanto tempo demorarão para chegar.

“Havia uma enxurrada de demandas sobre linhas [de ônibus] que não passavam. A ferramenta foi importante para termos uma foto apurada do que acontece no sistema de transporte. A gente sabe quantas linhas estão rodando, quantas estão com frota reduzida ou com intervalos muito grandes. É uma foto que impressiona, porque realmente a gente consegue ver que é uma crise muito grande no setor”, ressalta a secretária.

O coordenador de Monitoramento da SMTR, Lauro Silvestre, afirma que as informações hoje disponíveis para a população já eram armazenadas anteriormente, mas não eram tratadas. “Em três meses, já tínhamos algumas coisas sendo construídas. O modelo é não esperar até o fim, vamos entregar em fases. Hoje o que temos não chega nem à metade do que teremos”, diz.

Ele explica que há uma barreira tecnológica que limita a atualização de alguns dados em tempo real, uma vez que as informações referentes aos passageiros são armazenadas no sistema de bilhetagem que precisa ser descarregado no fim do dia nas garagens. Silvestre ressalta que um estudo consumido internamente na Secretaria mostrou que em até cinco dias 97% dos ônibus repassam os dados para a central do RioCard – sistema eletrônico que registra os dados dos passageiros transportados. Daí haver um “delay” de cinco dias em algumas informações.

Dados relativos ao posicionamento dos ônibus e BRTs, que dependem do sistema de GPS são atualizados a cada hora, mas Silvestre afirma que a ideia é chegar ao tempo real, de forma a poder informar aos passageiros à espera nos pontos quando serão atendidos por um veículo. “É esse o caminho que a gente está trilhando.”

O sistema está sendo todo desenvolvido dentro da própria SMTR, pelos funcionários da secretaria, sem a necessidade de contratação de uma empresa terceirizada. O custo total é de R$ 100 mil por ano, valor cobrado para o armazenamento dos dados na nuvem. “Uma coisa importante é desenvolver tudo internamente, não ficar dependendo de uma empresa, de um programa externo do qual depois ficamos reféns”, diz Maína.

A secretária acrescenta que os dados serão ainda mais detalhados e o planejamento da malha deverá ficar “muito melhor” quando o novo sistema de bilhetagem eletrônica estiver em funcionamento, o que a secretaria projeta que ocorra em 2022.

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