Viação Cidade do Aço, do Rio, pede proteção à Justiça

Do Valor Econômico
Foto: Reprodução/Redes Sociais Cidade do Aço

A Viação Cidade do Aço, tradicional empresa fluminense de transporte de passageiros, protocolou ontem pedido de recuperação judicial na vara cível da comarca de Barra Mansa (RJ), onde fica a sede da companhia. A empresa, fundada em julho de 1951, há 70 anos, listou no processo dívidas de R$ 26 milhões, sendo R$ 14 milhões com fornecedores, R$ 6 milhões com bancos e R$ 6 milhões em compromissos trabalhistas.

Há mais de mil credores listados no processo, dos quais 910 são trabalhadores. A pandemia foi determinante para o pedido da empresa. Antes de a Cidade do Aço, como a empresa é conhecida, pedir proteção à justiça havia nove companhias do segmento de ônibus no Rio – quase todas na capital – em recuperação judicial.

Em junho, duas empresas do Rio – viações Penha Rio e Campo Grande – tiveram pedidos de recuperação aceitos, segundo a Rio Ônibus, entidade que reúne as empresas do município.

A disseminação do novo coronavírus no país, a partir de março de 2020, reduziu o número de passageiros e fez cair as receitas das empresas de ônibus, que continuaram a conviver com problemas setoriais antigos, entre os quais estão política tarifária deficitária, aumento de custos, gratuidades excessivas e concorrência informal.

Em 2019, a Cidade do Aço faturou R$ 78,8 milhões, tinha 750 funcionários e transportava 600 mil passageiros por mês. Em 2020, o faturamento caiu para R$ 37,1 milhões, o número de empregados foi reduzido para 450 pessoas e o universo de passageiros despencou para 310 mil por mês. O faturamento de 2021 deve ser semelhante ao do ano passado.

A Cidade do Aço possui linhas urbanas e rodoviárias ligando o sul fluminense ao município do Rio e aos Estados de Minas Gerais e São Paulo, com garagens na zona portuária do Rio, Barra Mansa, Resende, Cruzeiro (SP) e São Lourenço (MG). Atualmente, a empresa possui 134 veículos (ônibus), dos quais 87 operacionais.

Rogério Furtado, sócio da ARM Gestão, empresa que dá consultoria à Cidade do Aço no processo de recuperação judicial, disse que a pandemia é a principal razão para a empresa protocolar o pedido, embora fatores setoriais antigos venham pesando sobre a companhia há mais tempo. Ele afirmou que a empresa vai continuar operando normalmente: “Queremos que a empresa tenha fôlego para pagar a dívida”, afirmou.

Uma vez protocolado o pedido, a empresa terá 60 dias para apresentar o plano de recuperação judicial. “Em até 180 dias, a partir do pedido de recuperação, tem que marcar a assembleia de credores para aprovar o plano”, disse Furtado. Ele afirmou que a empresa vai precisar reduzir e otimizar a operação. A perspectiva é que o avanço da vacinação contra a covid-19 permita aumentar o número de passageiros transportados.

“A previsão é ter um ano melhor em 2022”, afirmou. De acordo com Furtado, a empresa vinha tendo prejuízo na operação e cobriu essa perda com caixa próprio e venda de ativos. “A ideia é equilibrar a operação e voltar a ser rentável.”

O advogado Ruan Carvalho Buarque de Holanda, sócio do Moraes & Savaget Advogados, que atua no processo em parceria com a Dannemann Siemsen, disse ser fundamental um acordo com credores para o “soerguimento efetivo” da Cidade do Aço. “A crise do setor é grave”, afirmou.

A Cidade do Aço foi fundada em 1951 por Geraldo Ozório Rodrigues. Em 1972, foi adquirida pelos irmãos Curvello (Ariel, Abelmar e Aldemir). Hoje as ações da empresa pertencem a Aldemir e aos herdeiros dos outros dois irmãos.

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