Robô-entregador de comida faz testes em ciclovia e preocupa ciclistas em Austin

Da Folha de SP
Foto: Divulgação

Em junho, a empresa Refraction AI começou a fazer testes com um robô-entregador autônomo, capaz de circular pelas ruas e levar pedidos de comida, no centro de Austin, nos Estados Unidos. Esses veículos estão usando a ciclovia, o que gerou queixas de parte dos ciclistas, que temem ter de disputar espaço no futuro com máquinas assim.

“Não acho que isso tenha de estar na ciclovia”, disse Jake Booke, vice-líder do Conselho de Bicicletas, grupo que aconselha a prefeitura em questões de mobilidade, ao site Houston Public Media. “E se daqui a dois anos tivermos centenas deles na via?”.

A Refraction AI disse que os robôs são configurados para dar prioridade a bicicletas e pedestres, mas há dúvidas sobre como eles podem dar passagem, já que as ciclovias geralmente são estreitas. Para sair do caminho, seria preciso subir na calçada ou disputar espaço com os carros.

Chamado de Rev-1, o robô-entregador tem três rodas e tamanho próximo ao de um carrinho de sorvete: cerca de 1,20 de altura e 80 cm de largura. Anda a no máximo 24 km/h, e pesa 40 kg. Por ser menor, consegue desviar do trânsito dos carros e fazer entregas mais rápidas.

“Estamos tentando emular o que seria um ciclista”, disse Matt Johnson-Roberson, co-fundador da Refraction AI, à revista Wired. A empresa foi fundada em Michigan, e fez testes em Ann Arbor a partir de 2019.

Para se localizar, o robô usa câmeras e sensores mais simples do que os de um carro autônomo. Com isso, cada unidade custa em torno de US$ 5.000 (R$ 26,3 mil). Para abrir o compartimento e retirar o pedido, o cliente digita uma senha. O vídeo abaixo mostra um deles em operação:

Uma lei de Austin, de 2019, determina que robôs de entregas podem circular por calçadas, demais espaços para pedestres ou na beira da rua, o que inclui ciclovias. Durante os testes, um funcionário tem acompanhado os robôs, a bordo de uma patinete elétrica. Por ora, há dez veículos em circulação.

Além de comida, robôs assim podem fazer entregas de outras compras virtuais e ficar responsáveis pela última parte da jornada entre os centros de distribuição e a casa dos clientes.

O avanço desta tecnologia poderá tirar carros e motos da rua, reduzindo a poluição. Por outro lado, se o modelo for adotado em larga escala, haverá menos trabalho para entregadores de moto e de bicicleta. E as cidades precisarão debater como regular a circulação de robôs-entregadores nas ruas.

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