Lentidão no trânsito volta aos mesmos níveis de dezembro de 2020 na capital paulista

Do Agora SP
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Ilustração

O paulistano se deparou na última sexta-feira (6) com um velho vilão da cidade: o trânsito caótico. Este, ao menos, é o indicativo em relação à lentidão no tráfego que já começa a mostrar um aumento gradativo após a volta às aulas e também de algumas medidas de flexibilização que foram autorizadas pelo governo do estado de São Paulo.

O número é um dos maiores desde dezembro do ano passado, período em que as pessoas relaxaram no isolamento social após uma pequena melhora nas taxas de internação e óbitos por causa da Covid-19.

Na sexta, a lentidão na capital bateu a casa dos 129 km, enquanto quase 7 milhões de veículos circularam pelas ruas. Ele só perde para o dia 8 de julho, véspera do feriado de 9 de julho, quando a cidade atingiu 144 km de lentidão e 7 milhões de veículos rodaram na cidade. Já em dezembro, o pico aconteceu no dia 18 quando a lentidão nas ruas atingiu os 156 km e 7,1 milhões de veículos rodaram por São Paulo.

Durante o período a que se tem registros da pandemia, dezembro possui números menores do que em 30 de outubro do ano passado, quando a capital atingiu a marca de 158 km de lentidão e 7,1 milhões de veículos circulando na cidade.

Os números são a constatação de um levantamento feito pelo Agora em boletins diários de mobilidade urbana criados pela CET (companhia de Engenharia de Tráfego) a partir de junho de 2020 e que incluem a taxa de circulação de veículos, algo que não era contabilizado anteriormente. Nos documentos foi possível analisar os índices de tráfego como a lentidão na cidade e também a quantidade de veículos que circularam pelo município. O levantamento levou em consideração às sextas-feiras por se tratar de um dia de maior mobilidade na cidade.

O crescimento dos números do trânsito na capital paulista, contudo, dividiu a opinião de especialistas ouvidos pela reportagem. Enquanto um deles aponta uma nova realidade para o município a partir do período de pandemia, o outro acredita que os números devam começar a subir mais uma vez de forma gradativa.

“Estamos voltando ao nosso novo normal, m as a realidade pré-pandemia não voltará, vamos ter as cidades operando, obviamente, com algum congestionamento em horário de pico, mas longe, muito longe de ser o que era. Não teremos mais aquele episódio de horas. Um trajeto de 20 minutos, que você levava uma hora, uma hora e dez, não vai acontecer mais”, afirma Sergio Ejzenberg, engenheiro e mestre em transportes pela Escola Politécnica da USP.

Segundo ele, aproximadamente 80% do trânsito está concentrado em pessoas que vão para o trabalho e em pessoas que vão para a escola e a pandemia adiantou um processo que levaria mais alguns anos para virar tendência que é o trabalho sendo feito de casa e o ensino podendo ser realizado à distância. Na visão de Ejzenberg, ambos os fatores ajudarão a desafogar as principais vias da cidade e diminuir o congestionamento.

“Muitas empresas já devolveram suas áreas corporativas e estão vazias, não vão reinstalar. As empresas estão pensando em no máximo um ou dois dias de trabalho e não será o dia inteiro serão reuniões presenciais de grupos de trabalho para trocas de ideias. A quantidade de viagem de trabalho caiu para aqueles que trabalham com computadores, por exemplo”, analisou. “Na região da Vila Olímpia na hora do almoço você não conseguia andar na calçada. As calçadas não comportavam as pessoas. Agora está vazio e acredito que não vai voltar mais”, completa antes de falar sobre o impacto que a educação também causa no trânsito.

“Para a educação, depende da idade. Para criança pequena a escola ensina tanto a socialização quanto algum conhecimento, então, será necessário a presença o tempo todo. Mas conforme você vai avançando na carreira escolar a partir de um certo ponto, os estudos já podem ser feitos de casa”, continua. “Os dois setores que mais geravam vigens já mudaram. Não vão gerar o mesmo número de viagens e as viagens geradas poderão ser fora de horário pico”, finaliza.

Contraponto

Horácio Augusto Figueira, também engenheiro e mestre em transportes pela Escola Politécnica, que tua como consultor em engenharia de transporte de pessoas e segurança no trânsito, faz o contraponto e acredita que os índices ruins no trânsito possam voltar a piorar. “Muita gente migrou do transporte coletivo para o individual como o automóvel, a motocicleta ou o uso de algum aplicativo ou táxi, por exemplo, com medo da pandemia”, explica.

Além disso, na visão de Figueira mais dois fatores serão importantes para o aumento do trânsito na capital paulista. “A educação injeta de um dia para o outro 35% a mais de viagens. É mãe buscando filho, jovens indo sozinho para escola, cursinho, universidade”, aponta. “Além disso se essas pessoas que estão trabalhando em casa começarem a precisar ir alguns dias da semana de forma presencial, então, isso pode gerar novos picos em diferentes dias úteis. Tudo vai depender de quando cada empresa vai escolher para que o seu funcionário esteja lá presencialmente”, conclui.

Resposta

Questionada a respeito da elevação dos índices de lentidão, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) confirmou, por intermédio de nota, que os índices de congestionamento observados nas nas últimas semanas são maiores do que a média de lentidão observada no ano de 2020.

“Mas ainda permanecem abaixo da média de lentidão de 2019, ano que antecedeu a pandemia”, informa nota da pasta enviada ao Agora.

A empresa informou ainda monitorar as vias da cidade diariamente. Essas análises embasam decisões para que medidas operacionais sejam colocadas em prática com a finalidade de garantir a segurança dos usuários e à fluidez do trânsito da capital.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.