Anfavea estima deixar de produzir até 280 mil veículos por crise de chips

Da Agência AutoData
Foto: Ivan Bueno (Fotos Públicas)

De 240 mil a 280 mil veículos deixarão de ser produzidos pelas fábricas brasileiras em 2021 por causa da escassez de semicondutores no cenário global, calcula a Anfavea. O cenário esperado para este segundo semestre é ainda pior do que o enfrentado na primeira metade do ano, quando, ainda segundo as estimativas da entidade, a produção de veículos foi reduzida de 100 mil a 120 mil unidades.

Os cálculos da Anfavea usam como base um estudo do BCG, Boston Consulting Group, divulgado em agosto. Ele trata da indústria global e traz estimativas ainda piores do que aquelas divulgadas em julho: em vez de 5 a 7 milhões de unidades as montadoras não conseguirão produzir de 7 a 9 milhões de veículos em 2021, devido à crise dos chips.

“Tivemos a tempestade perfeita no setor”, comentou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, em entrevista coletiva transmitida pela internet na quarta-feira, 8. “Além do descompasso na produção provocado pela covid-19, quando parte dos semicondutores reservados ao setor automotivo foram direcionados a outras indústrias, outros eventos agravaram a situação. Teve efeito em fábrica no Japão, nevasca que atrapalhou a produção no Texas, falta de água que paralisou as linhas em Taiwan e, mais recentemente, a uma fábrica na Malásia precisou parar de produzir por causa do avanço da variante delta na região”.

Em agosto, segundo Moraes, ao menos onze fábricas brasileiras precisaram parar por causa da falta dos componentes eletrônicos. O efeito foi uma produção de 164 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus no mês, estável na comparação com julho e 21,9% abaixo da registrada em agosto do ano passado.

No acumulado do ano o crescimento, com relação a janeiro a agosto de 2020, foi de 33%, somando 1 milhão 476 mil unidades. O presidente da Fenabrave lembrou que o segundo trimestre do ano passado teve uma base baixa, por causa das medidas de restrição ao comércio por causa do início da pandemia.

Mesmo com todo esse cenário de dificuldades o setor automotivo encerrou agosto com cerca de trezentas contratações, somando 103 mil trabalhadores diretos. O saldo é negativo, porém, quando comparado com igual mês de 2020: em agosto do ano passado a indústria empregava 103,3 mil pessoas.

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