Para Fenabrave, entregas só voltam ao normal no meio de 2022, na melhor hipótese

Por Automotive Business
Foto: Reprodução (SECOM Pará / Via Fotos Públicas)

Após mais um fechamento fraco de mês, com apenas 150 mil veículos leves emplacados, a Fenabrave, associação que reúne os revendedores autorizados de veículos, já considera 2021 um ano praticamente perdido, com baixa ou nenhuma recuperação em relação ao também perdido 2020 segundo as projeções revisadas no mês passado, e estende suas preocupações para 2022.

Ao divulgar os resultados consolidados de outubro na quinta-feira, 4, o presidente da entidade, Alarico Assumpção Jr., avaliou que a falta de componentes deverá manter a produção de veículos no País abaixo da demanda ao menos até o meio do ano que vem, “na melhor das hipóteses”, ele declara.

“A demanda se mantém alta por parte do consumidor, mas há segmentos em que a espera por um veículo pode levar meses, porque devido à falta de componentes as fábricas não estão conseguindo atender todos os pedidos das concessionárias. Esperamos pela normalização da produção, mas acreditamos que isso só ocorra em meados de 2022, na melhor das hipóteses”, aponta Alarico Assumpção Jr.

Mesmo após superada a falta de produtos, o presidente da Fenabrave destaca que novos problemas estão surgindo no horizonte, que podem reduzir a demanda por veículos: “A recente alta nas taxas oficiais de juros e a possibilidade de novas elevações podem influenciar a decisão de compra por parte do consumidor e na oferta de crédito, que pode se tornar mais seletivo. É um cenário que estamos observando, com muita atenção”, diz.

Em outubro, automóveis avançam e comerciais leves recuam: Em outubro os números consolidados pela Fenabrave apontam para um cenário inverso do que vinha sendo observado nos últimos meses. Houve uma inesperada alta nas vendas de automóveis, que somaram 119,3 mil emplacamentos e cresceram 9,4% sobre setembro, mas ainda em forte retração de 29,2% na comparação com o mesmo mês de 2020. No acumulado de 10 meses, o segmento soma 1,27 milhão de unidades vendidas e ainda registra tímido avanço de 2,6% sobre igual intervalo do ano passado.

Já o segmento de utilitários leves – que inclui diversas picapes utilizadas como carro de passeio, sendo que a Fiat Strada é até agora o veículo mais vendido do ano –, que vinha apresentando desempenho mais vigoroso, teve resultado decepcionante em outubro, com 30,7 mil emplacamentos, registrando quedas de 7,5% sobre setembro de 16,3% na comparação com o mesmo mês de 2020. Na soma de 2021, foram vendidos 344 mil comerciais leves e a alta segue forte, de 32,1% ante os mesmos 10 meses do ano passado.

Diante dos resultados fracos, a Fenabrave manteve suas previsões revisadas no mês passado, projetando que o mercado de veículos leves deve crescer apenas 3,1% este ano, o equivalente a 2 milhões de unidades. O desempenho deve ser pior para automóveis, com previsão de 1,58 milhão de emplacamentos, o que representa pequeno avanço anual de 2,2%, enquanto os comerciais leves podem somar 430,5 mil veículos vendidos em 2021, em alta expressiva de 28,4% sobre 2020.

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