Artigo: Consumo de Diesel em ônibus urbanos

Da ANTP
Por Carlos Monteverde*
Foto: Fernanda Carvalho (Fotos Públicas)

Se anteriormente a Pandemia com o Litro do Diesel a 3,088 Reais [mar/2019, grandes frotistas] o Custo de Combustível era cerca de 25%, agora então com o Litro do Diesel a 4,22 Reais, 37% mais caro, o Diesel deixou para trás o Custo com Motorista, que caiu na Pandemia, com a redução das viagens.

Nesta famigerada posição, o Consumo de Diesel acaba atraindo análises pueris, passionais, desprovidas de rigor técnico que o tema merece.

O primeiro equívoco é analisar o consumo pelo montante gasto em Reais…

O correto é o consumo em Litros, num Sistema onde o PMM – Percurso Médio Mensal situa-se em 5.000 km mensais, vamos ter um consumo médio de 2.300 litros num ônibus Básico [NBR 15570] e até 4.000 litros num Articulado 6×2 com Ar-Condicionado. Como visto, dependendo da composição da Frota da Operadora, vamos ter variações no total de Litros consumidos, mesmo que o tamanho das frotas sejam similares.

Outro erro, este mais sútil, é comparar o consumo de combustível entre meses. No Transporte Público temos os dias úteis e finais de semana, e só podemos comparar meses que tenham a mesma composição neste critério., Por exemplo, outubro e novembro de 2021 têm 30 dias, mas serão distintos em finais de semana e feriados. Outubro finalizará com 25 dias úteis equivalentes [sab. = 0,6 e dom. = 0,4 dia útil], Novembro terá 24 dias úteis equivalentes. Um Gestor desavisado ficará satisfeito com a queda de 4% no Consumo de Diesel, e pensará “poxa, valeu a pena minhas cobranças”.

Reparados os equívocos, podemos falar das variáveis que determinam o consumo por km. Modelos idênticos tem consumos diferentes na Operadora, pois as características das Linhas é que determinam o Consumo de Combustível.

As Forças Resistivas a Movimentação do Veículo, são em três.

A Resistência ao Rolamento que é proporcional a deformação do Pavimento e da Roda, a Resistência ao Aclive proporcional a inclinação da Via e a Resistência ao Ar, inócua em velocidades urbanas. Vencidas estas resistências temos ainda a Resistência a Aceleração ou Resistência da Inércia.

Então da Força na Roda ou também dita Força Trativa, tiramos as Forças para o movimento e do que sobra tiramos a Força para Acelerar.

Uma Linha com itinerário em vias esburacadas, com topografia acidentada e com muitos pontos de parada e semáforos vai ter consumo de combustível elevado.

Linhas onde a Frota tem Ar Condicionado, também apresentarão maior Consumo de Combustível.

Se recomenda, portanto, um acompanhamento do consumo de diesel, por classe de ônibus e Tipo de Linha [Leve, Média e Pesada]. Desta feita estabeleceremos Metas de Consumo e traçaremos as Diretrizes de Otimização do Consumo de Combustível.

* Carlos Monteverde é consultor de Engenharia de Transportes na Kontrow Comercio, Serviço e Tecnologia Ltda..

** O texto que você acabou de ler não reflete, necessariamente, a opinião do UNIBUS RN, sendo de total responsabilidade do seu autor.

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