Empresas do transporte público de Natal pedem subsídio para custear meia-passagem de estudantes

Da Tribuna do Norte
Foto: Andreivny Ferreira (UNIBUS RN)

Com perdas financeiras de 38% em comparação com o período pré-pandemia, as empresas de transporte público de Natal pedem subsídio municipal e federal para custear a meia-passagem do estudante, além das gratuidades de idosos e pessoas com deficiência e, desta forma, equilibrar o sistema e evitar reajustes tarifários em 2022. Para Nilson Queiroga, diretor técnico do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros do Município do Natal (Seturn), o investimento do Executivo é uma das principais alternativas para evitar uma falência no setor. Ele afirma que os empresários descartam pedir aumento da tarifa no ano que vem.

“A tarifa topou em Natal. Os empresários não falam mais em reajuste de tarifa porque piora, afasta ainda mais o passageiro. A saída não é essa, tem que ter a sensibilidade do poder público. O idoso tem o seu direito constitucional de andar de graça, então a União tem que comprar a passagem e dar para ele. O que não pode é um pobre, podendo pagar R$ 3, pagar R$ 4 porque esse R$ 1 é para pagar os programas sociais”, afirma. A tarifa inteira do ônibus urbano em Natal custa R$ 4 para pagamento em dinheiro e R$ 3,90 para pagamento no cartão magnético.

Segundo o diretor do SETURN, o passageiro é responsável por custear sozinho o transporte coletivo. “Quem tá pagando R$ 4 está bancando a meia do estudante e a gratuidade do idoso e das pessoas com deficiência porque não há subsídio do município”, diz. Na capital potiguar, segundo levantamento do Seturn, a cada quatro passageiros, um não paga a tarifa. De acordo com a Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (STTU), o número de passageiros caiu em pouco mais da metade: passou de 350 mil usuários até 2019 para cerca de 165 mil atualmente.

Hoje, os estudantes representam aproximadamente 15% dos passageiros, o que corresponde a 30 mil pessoas transportadas todos os dias. “Se a prefeitura comprasse essas passagens e desse aos estudantes diminuiria em 7,5% o prejuízo que a gente já tá tendo porque a outra metade o estudante já paga. Se comprasse as passagens das pessoas com deficiência também porque é lei municipal. Da mesma forma se o governo federal comprasse a passagem do idoso. Hoje a gratuidade representa 12% aqui. Esses subsídios equilibrariam o sistema”, acrescenta o consultor do Seturn.

Antes da pandemia, em maio de 2019, a frota efetiva que rodava pela cidade nos dias úteis era de 577 ônibus, segundo dados da STTU. De acordo com o Painel de Monitoramento de Frota e Demanda na Pandemia de Covid-19, gerido pela pasta, em março deste ano, o número de ônibus urbanos circulando na capital era de 388.

Empresas: Norberto Faria, diretor executivo da Transflor Viasul, uma das seis empresas que atuam em Natal, encara a situação como preocupante e afirma que o sistema não comporta mais um reajuste. O empresário coloca na conta os custos com os insumos para manutenção técnica dos veículos e com o combustível, que corresponde a cerca de 30% das despesas totais da empresa, segundo ele. No acumulado do ano, o diesel, combustível que alimenta os ônibus do transporte público, representa um aumento de 65,3%.

“Hoje nós estamos rodando com uma frota superior a 70% e uma receita de menos de 60%. Eu faço essas comparações com o ano de 2019. O problema também é a alta dos insumos ligados ao setor de transportes. O combustível subiu mais de 50%. É um absurdo também o que tem acontecido com as peças e pneus que dobraram de preço. Não há por parte da prefeitura nenhuma sinalização de subsídio, coisa que é fundamental porque a tarifa já está num preço que o usuário não suporta mais reajuste, creio eu”, diz o empresário da Transflor Viasul.

Além da Viasul, outras cinco empresas operam em Natal por regime de concessão: Cidade do Natal, Nossa Senhora da Conceição, Reunidas, Santa Maria e Guanabara. Apesar da crise que afeta o setor, agravada pela pandemia do coro-navírus, o empresário Marcelo Passos, proprietário da Conceição, diz que “o pior já passou” e demonstra otimismo na recuperação das perdas dos últimos dois anos. “O ponto máximo de negação foi a pandemia e eu creio que a gente vai, com certeza, sobreviver e melhorar a questão do deslocamento, até porque hoje o portfólio de deslocamento já é bem mais robusto”, diz Passos.

Por outro lado, o proprietário da Conceição é contra o subsídio do município. “O subsídio é ruim porque ele precisa ser colocado para trazer mais qualidade para o sistema. Não se pode, através do subsídio, zerar a negação. O município tem que fazer o enfrentamento do que é caro no transporte, a nível de imposto, e a partir daí, se quiser colocar o subsídio para melhorar o sistema eu acho que está valendo. Colocar subsídio para equalizar o sistema eu acho um erro conceitual”, destaca.

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