Greve dos rodoviários: Primeiro dia termina sem avanço nas negociações

Por UNIBUS RN
Fotos: Andreivny Ferreira (UNIBUS RN) e Daniel Silva (Gentilmente cedida ao UNIBUS RN)

Uma terça-feira difícil e de grande dificuldade para a locomoção do natalense. Esse foi o cenário em meio ao primeiro dia da paralisação, por tempo indeterminado, dos trabalhadores das seis empresas de ônibus que operam linhas do transporte público da capital potiguar. Uma greve que, mesmo anunciada há alguns dias, ainda trouxe surpresa e transtornos para quase 200 mil pessoas que precisam usar o ônibus diariamente.

O movimento, organizado pelo SINTRO RN (sindicato que representa os trabalhadores rodoviários), tem como pauta de reivindicações o cumprimento da data-base da categoria (previsto para o dia 1º de maio), o que não ocorreu nos últimos dois anos – consequentemente, não houve reajuste salarial neste período –, além da volta do valor do ticket alimentação para o que era pago antes da pandemia da COVID-19 (O valor foi reduzido de R$ 315 para R$ 180).

Aqui no UNIBUS RN, você está acompanhando uma grande cobertura do movimento paredista e seus desdobramentos em toda Natal. Continue a leitura e acompanhe os principais fatos do primeiro dia da greve dos rodoviários.

Nas ruas: O UNIBUS RN percorreu vias das zonas Leste, Norte e Oeste da capital potiguar ao longo desta terça-feira. Uma cena era bastante comum: a aglomeração de pessoas nas paradas, aguardando, por um tempo muito maior do que o comum, pela vinda do ônibus que precisa utilizar. Paradas lotadas em pontos de grande movimentação foram cenário frequente ao longo de todo o dia.

Especificamente na Zona Norte, houveram relatos de paralisação total de algumas linhas de ônibus para o direcionamento de suas frotas para outras linhas de maior demanda. Já em vias das zonas Leste e Oeste, não foram identificadas paralisações totais de linhas de ônibus. Mesmo assim, quem precisava usar ônibus precisou ter uma dose extra de paciência para esperar mais tempo nas paradas.

Às 17h, o SINTRO RN contabilizava 109 ônibus em circulação nas vias natalenses. Segundo o sindicato, o número corresponde ao quantitativo exigido pela legislação, que prevê a manutenção de, pelo menos, 30% dos ônibus em circulação durante uma greve.

Já de acordo com o SETURN, os 30% mínimos também foram cumpridos. Entretanto, conforme o levantamento das empresas de ônibus, foram às ruas 118 veículos em toda a cidade.

A reportagem solicitou à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) seu balanço do número de ônibus em circulação em Natal. Porém, até o fechamento da matéria, a assessoria de imprensa do órgão gestor não respondeu nossos contatos.

+ Leia mais: STTU autoriza serviços extras de transporte público em Natal durante greve dos rodoviários

Convite para um encontro: No último sábado, foi notícia um pedido do SETURN, entidade que representa as empresas de ônibus, para um encontro com o prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), e com a secretária de mobilidade urbana, Daliana Bandeira. O encontro serviria para debater soluções para o imbróglio, o que evitaria o início da paralisação.

Ao pedir o encontro, o SETURN alegou que a mediação do prefeito seria imprescindível para evitar a greve, uma vez que as empresas de ônibus não teriam condições de atender ao que pedem os rodoviários. No encontro, os empresários levariam como possíveis soluções uma nova isenção do ISS, imposto municipal cobrado às empresas de ônibus, ou um reajuste na tarifa cobrada ao usuário – atualmente, o passageiro desembolsa R$ 3,90, via bilhetagem eletrônica, ou R$ 4,00, para o pagamento em espécie.

A reunião também teria a participação da representação dos rodoviários, segundo o pedido do SETURN. Questionamos a representação dos trabalhadores sobre essa situação e a resposta foi sucinta: “Não recebemos nenhum convite ou ofício para esse encontro”, disse Harley Davidson Andrade, Segundo Secretário-Geral do SINTRO RN.

Já por parte das empresas, nenhuma atualização sobre o pedido de reunião com o chefe do executivo municipal. “Ainda não obtivemos qualquer retorno de nossa solicitação. Silêncio como resposta”, disse Nilson Queiroga, consultor técnico do SETURN.

Negociação: O primeiro dia de greve terminou sem avanços na negociação e sem perspectiva de encerramento da greve nas próximas horas.

Em entrevista à TV Tropical, o presidente do SINTRO RN, Antônio Junior, afirmou que o movimento pode durar, pelo menos, até a próxima sexta-feira, 21, quando está marcada uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região referente ao dissídio coletivo da categoria. “A greve segue até lá, mas espero que pare. Se não atenderem nossa reivindicação, nós continuaremos a greve no sábado, no domingo, na segunda-feira, até resolverem”, disse o dirigente.

Enquanto isso, no início da noite desta terça-feira, o SETURN entrou com ação judicial, no TRT, para solicitar a ampliação da frota de emergência que deve ser mantida pelos grevistas.

Até o fechamento da matéria, não havia ainda alguma decisão tomada na instância trabalhista.

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