Natal: Ex-secretário de transportes defende negociação de dívidas das empresas de ônibus para evitar colapso

Da Tribuna do Norte
Foto: Matheus Felipe

Quando observa a situação do transporte público de Natal atualmente, o engenheiro civil e especialista da área, Carlos Alberto Batinga Chaves, que foi o responsável por montar e chefiar o primeiro órgão de gestão do transporte urbano da capital entre 1983 e 1986, não tem dúvidas de que o desequilíbrio financeiro no sistema é evidente e alerta que os entes precisam negociar as dívidas milionárias com as empresas para não piorar a situação.

“Eu acho que uma das formas para que você não tenha um colapso do sistema seria uma negociação dessas dívidas. É preciso reconhecer que o problema do transporte ocorre em todo o país em especial as empresas de transporte coletivo por conta da queda de demanda que foi muito grande no primeiro momento da pandemia da covid-19” disse ele.

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Batinga, que também é consultor e membro do conselho da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), defende que, para a recuperação do sistema é preciso haver uma sensibilização maior dos entes públicos, levando em consideração o desequilíbrio financeiro, provocado pelo aumento do custos, redução de demanda e congelamento da tarifa do transporte. Esses fatores, segundo avalia, ajudam a levar as empresas à inadimplência. “Com certeza leva. Se você tem custos praticamente mantidos e a receita que seja uma queda vertiginosa, então levou em minha infância, não só no que se refere a impostos, mas também com outros compromissos”, pontuou.

Para ele, uma das saídas para ajudar o sistema a se recuperar é o Município subsidiar a tarifa. “Uma das saída é subsidiar, mas para resolver os débitos com os entes públicos das três esferas tem que haver sensibilidade dos entes públicos. O principal insumo do serviço é o custo com pessoal e o segundo que aumentou consideravelmente no último ano é o diesel. Esse desequilíbrio é fato. Algumas cidades estão subsidiando. Em outras, as empresas quebraram, muitas estão em recuperação judicial. Na hora que existem dívidas, vai piorando ainda mais”, avalia o especialista.

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